quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Conversas d'Ouvido com Fly the Sun

Apresentamos o quarteto de rock nacional Fly the Sun, composto por Carlos Mano (baixo, backing vocal), Filipe Guerreiro (guitarra, backing vocal), Miguel Simões (voz, piano, guitarra) e Paulo Ferreira (bateria). Os Fly the Sun, preparam-se para editar o seu EP de estreia, altura ideal para os desafiarmos a responder às nossas difíceis questões. Aceitaram prontamente e como não poderia deixar de ser a música mereceu total enfoque. Para conhecerem um pouco melhor esta promissora banda, não podem perder mais esta "Conversa d'Ouvido"...


Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
Fly the Sun: Como aconteceu a todos nós, foi algo que foi evoluindo a partir do momento em que nos fomos infiltrando cada vez mais no mundo da música, ao ver vídeos de concertos, ouvir vários estilos musicais, momentos que as bandas passam juntas, as viagens, tudo mais. Além disto vemos a música como uma extensão do ser humano, uma parte integrante de quem somos e de como nos manifestamos, de como nos expressamos para com os outros.

Como surgiu o nome Fly The Sun?
O nome Fly The Sun surgiu na incansável ideia de voar o sol, atingir o inatingível, alcançar o inalcançável. É um mote a que, com muito querer, trabalho e vontade, os sonhos concretizam-se.

Como descrevem o vosso estilo musical?
É sem dúvida um rock pop alternativo com sonoridades e influências que vão desde Danger Danger, Guns N’ Roses, Coldplay ou mesmo uma mistura de sonoridades fortes e agressivas da década de 80 com o bom indie do século XXI.

Conseguem explicar-nos como se desenvolve o vosso processo criativo?
É um projeto completamente de improviso e transversal a todos, tanto pode acontecer ao pegar numa guitarra começar a tocar uns acordes ou uns licks e a cantar o que vem à cabeça, no caso do Miguel e do Filipe, como no do Carlos, exactamente o mesmo, mas com o baixo. O que acaba por acontecer é ouvir estes rabiscos durante os ensaios e na hora tentamos improvisar o resto, indo melhorando ensaio a ensaio a música.

Para além da música, t que tocasse no vossomavamstiram que tocasse no teusosavas ariasêm mais alguma grande paixão?
Carlos Mano (CM): Marlboro e um isqueiro BIC .
Filipe Guerreiro (FG): Sem dúvida que o atletismo é a minha outra grande paixão.
Miguel Simões (MS): Nada tão grande como a música, mas viajar, conhecer novas culturas. Comer é outra grande paixão (risos).
Paulo Ferreira (PF): Tenho uma grande paixão que são as viagens sem destino e a descoberta pela aventura!

Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico?
CM: Sem dúvída que a maior vantagem da vida de um músico é fazer aquilo de que se gosta e utilizar a vertente artística como arma de arremesso quando o paradigma assim o exige. A maior desvantagem é o facto de não haverem horários fixos e ser muito difícil conciliar ensaios, concertos e gravações com a vida pessoal, académica e profissional.
FG: A meu ver, a maior vantagem na vida de um músico é o facto de fazer o que mais gosta e ainda ser remunerado por esse trabalho. Desvantagem é o facto de o emprego/dinheiro não ser certo e de muitas vezes estarmos dependentes das opiniões do público para conseguirmos, ou não, seguir com a nossa carreira.
MS: Diria que a melhor vantagem da vida de músico é a liberdade física e emocional. É um trabalho, que por ser o sonho da vida ou o maior gosto de todos, te dá uma capacidade de libertação física por poderes ir a vários sítios, tocar a vários palcos, conheceres o mundo enquanto tocas e poderes expressar completamente a tua opinião e sentimentos sabendo que isso vai ajudar outros, que te irão ouvir. A grande desvantagem, talvez a incerteza financeira que a indústria atravessa de momento.
PF: A maior vantagem é viajar a fazer o que gostamos e a desvantagem é a quantidade de pessoas que olham para nós só como uma maneira de fazer dinheiro e não se importam se estamos bem connosco próprios.

Quais as vossas maiores influências musicais?
CM: Arctic Monkeys e Ornatos Violeta (eles bem diziam que o rock moda funk ainda voltava)!
FG: Sem dúvida que grandes bandas como Danger Danger, FireHouse, Extreme, Mr.Big, são as grandes influências. Nada melhor que o bom Hard Rock dos 80’s!
MS: Coldplay, pela sonoridade e emoção e R.E.M pela sonoridade e intervenção social.
PF: O Rock e o Pop foram fundamentais, mas maioritariamente o Rock pelo todo que ele representa.

Como preferem ouvir música? CD, Vinil, K-7, Streaming, leitor mp3?
Esta pergunta é outra completamente transversal a todos: sem dúvida que o Vinil tem a sua mística mas atualmente não é o formato mais consumido. Por outro lado, o streaming tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos (incluindo nós mesmos) e é unânime o seu domínio na indústria musical. No entanto, iremos lançar o nosso EP num formato inovador, o “Music Card” da Music In My Soul, que é vencedor por juntar streaming, download e compra física num só.

O streaming está a “matar” ou a “salvar” a música?
Dando o exemplo da rádio, que estaria morta com a chegada da internet, afinal surpreendeu tudo e todos porque conseguiu moldar-se às novas tecnologias, e foi muito inteligente a combater a internet, tornando-se mais interativa! Portanto o streaming não está a matar a música, mas sim a torná-la mais interativa e mais perto das pessoas! Achamos que a palavra certa é “mudar” a indústria. É um novo formato, temos todos que nos adaptar, é mais difícil para quem cresceu como artista com o CD do que para novas bandas que já estão perfeitamente identificadas com o streaming, tal como nós.

Qual o disco da vossa vida?
CM: Air – Moon Safari, uma viagem por entre sonoridades fora do normal.
FG: Ui! Talvez a pergunta mais difícil que já me fizeram. Vou para um top 5 não organizado. “Waking The Fallen” – Avenged Sevenfold, “Screw It!” Danger Danger, “Extreme II Pornograffitti” dos Extreme, “World On Fire” Slash e “This Is War” dos Thirty Second To Mars.
MS: Diria um top 3 (risos). São “Born In The U.S.A” do “The Boss” Bruce Springsteen, “Parachutes” dos Coldplay e “Automatic For The People” dos R.E.M.
PFQueen - Live at Wembley '86

Qual o último disco que vos deixou maravilhados?
CMBlack Lightning dos The Bellrays.
FG: "Generation Me" dos The Treatment e “Shout It Down” dos KilliT.
MS: Vai ser completamente contra a opinião em geral – posso vir a ser crucificado por isto (risos) – mas tem razão de ser: “Ghost Stories”, dos Coldplay, porque nos últimos 2, 3 anos não ouvi um álbum tão emocionalmente tocante e foi, finalmente, a transição bem-sucedida para o pop alternativo.
PF: O mais recente foi o projeto acústico Xutos e Pontapés – Se Me Amas

O que andam a ouvir de momento/Qual a vossamais recente descoberta musical?
CM: Ando a redescobrir Bob Dylan. The Bohicas também recentemente.
FG: Penso que a minha mais recente descoberta musical foi uma compilação de discos chamada “Dark Country”
MS: Diria que o ambient pop foi a minha maior descoberta de momento, com sonoridades completamente novas para mim. Se tivesse de nomear uma banda: Low Roar.
PF: Sou muito fiel ao que sempre ouvi como AC/DC, Queen, Bruce Springsteen, RHCP e Foo Fighters, hoje em dia é raro fazer uma descoberta pela qual me agarre, apesar de haver bons músicos e boas canções o que me apaixona é o anterior a 2000 e talvez a última descoberta foi a música “Ashes” dos Embrace e a “Dakota” dos Stereophonics.

Qual a situação mais embaraçosa que já vos aconteceu num concerto?
Ui já tivemos algumas (risos)! Ao Carlos, certa vez num concerto, o strap do Baixo desprendeu-se, quase caindo o baixo e depois sozinho a tentar por tudo, cai o cabo também, foi um azar daqueles… O Filipe foi contra o Miguel a meio do “DuckWalk” do Angus Young, no solo de um cover da “Highway to Hell” que fizemos, que foi de risos entre ambos (gargalhada geral). O Miguel esqueceu-se no concerto acústico de tirar a guitarra do tuning e durante uma musica não se ouviu, tendo o Filipe que carregar no botão, que foi outra engraçada. Por fim, ao Paulo, num concerto, aconteceu uma situação engraçada e de desespero onde um suporte, com um prato china, caiu da bateria e ficou ele sem saber, impotente, como iria buscar ou tirar, foram 2/3 segundos (que pareceram 30 minutos) de pânico, mas no fim todos nos rimos e serviu para aprender a meter bem os suportes! Todos estes incidentes servem para crescermos e ter mais atenção aos detalhes antes de cada concerto, isto em relação à parte técnica e de montagem.

Com que músico gostariam de efectuar um dueto/parceria?
CM: A nível internacional seria Arctic Monkeys, o Dave Grohl ou o Eddie Vedder. A nível nacional uma parceria com o Manel Cruz seria incrível. Pode ser que um dia façamos um projeto inglês/português com ele.
FG: Sem dúvida que gostaria de tocar com o grande Nuno Bettencourt e também adoraria fazer umas músicas com os vocalistas Myles Kennedy e Paul Laine.
MS: Isso agora… Talvez Bruce Springsteen, Foreigner, Myles Kennedy e uma voz feminina escolheria a Anastacia ou Christina Aguilera.
PF: Quando seguimos várias pessoas é complicado…, mas depois de muito pensar teria de escolher o Bruce Springsteen And The E Street Band devido à energia que deixam e passam do palco e passa para as pessoas, penso que se iria sentir uma grande vibração no ar!

Para quem gostariam de abrir um concerto?
CM: Arctic Monkeys!!!
FG: Sonho alto, mas adoraria abrir o concerto para uma banda da dimensão de Queen ou mesmo Metallica.
MSFoo Fighters ou Arctic Monkeys.
PF: Sem pensar duas vezes e sendo baterista tenho de escolher os Red Hot Chili Peppers pelo grande Chad Smith!   

Em que palco (nacional ou internacional) gostariam um dia de actuar?
CM: Glastonbury e no nosso mítico Paredes de Coura.
FG: Glastonbury, Rock In Rio e também o grande Rock am Ring.
MS: Qualquer palco será uma honra, mas Glastonbury será um sonho tornado realidade. Sempre que fecho os olhos e me imagino a cantar com muita gente a entoar as nossas músicas, é lá que imagino.
PF: Rock In Rio Brasil ou o CoachellaFest

Qual o melhor concerto a que já assistiram?
CM: Eddie Vedder no SBSR 2014 (ia chorando).
FG: Foi o concerto dos Linkin Park no Rock in Rio e também o concerto dos Nightwish no Campo Pequeno.
MS: Kaiser Chiefs no Rock In Rio em 2012, foi o que mais me surpreendeu, não estava nada à espera! Atualmente diria que Bruce Springsteen & The E-Street Band este ano foi, de longe, o melhor a que já assisti. Fica a menção para os Diabo na Cruz a nível nacional, são sem dúvida uma referência de um concerto completamente non-stop, enérgico, sendo que foi o Paulo Ferreira que me levou e deu a conhecê-los!
PF: Aqui terei de dizer dois, um por ser histórico que juntou Axl Rose e os AC/DC, no Passeio Marítimo de Algés, abrindo a digressão “Rock or Bust” dos AC/DC. O outro concerto foi no Rock In Rio Lisboa 2016 com uma grande performance de quase três horas do Bruce Springsteen And The E Street Band, como se percebe eu e o Miguel Simões fomos juntos (risos).

Que artista ou banda gostavam de ver ao vivo e ainda não tiveram oportunidade?
CMRed Hot Chili Peppers e Arctic Monkeys.
FGAvenged Sevenfold, Mr. Big e Danger Danger (com a formação original).
MS: É ridículo, mas nunca consegui ver Coldplay quando cá vieram, por isso é sem dúvida quem falta.
PFRed Hot Chili Peppers! Mas acho que esta oportunidade estará perto!

Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de terem nascido) em que gostariam de ter estado presentes?
CMMTV Unplugged dos Nirvana. Há qualquer coisa ali que roça o divino.
FGNo Monsters of Rock Moscow de 1991!! Adorava poder ter ido ver bandas como os Metallica, AC/DC e Pantera, juntamente com mais de 1.600.000 pessoas!
MS: Todos me falam de Pink Floyd no antigo José Alvalade!
PF: O mítico concerto dos Queen no estádio de Wembley em 1986!

Qual o vosso guilty pleasure musical?
CMTaylor Swift e Drake.“I knew you’re trouble when you walked in…”
FG: Não diria bem “guilty” mas penso que é ouvir R&B e Hip Hop.
MS: One Direction, “LittleThings“ e não dá para não cantar a conduzir o “Shake It Off” da Taylor Swift…(risos). E já que estamos no mood tudo o que é 70’s Disco, BoogieNight, por exemplo "September" – Earth, Wind And Fire
PF: Ouvir em loop a grande balada do Roberto Carlos “Esse cara sou eu”. Também venero a tão nossa música pimba e admiro o flamenco, um estilo musical que me faz acalmar e relaxar naqueles tempos mais difíceis.

Projectos para o futuro?
Continuar a progredir e a evoluir na música e fazer a mensagem dos FlyTheSun chegar a todo o mundo!

Que pergunta gostariam que vos fizessem e nunca foi colocada? E qual a resposta.
Se na banda se dão todos bem? Estamos a brincar, nós os quatro somos como família, muito chegados e sempre que há problemas intra ou extra banda nós reunimo-nos e falamos, é fácil trabalhar quando temos um grupo unido e com ideias muito idênticas! Além desta talvez “Há Pitéu boy?” (rizada geral) que é a catchphrase do Filipe sempre que chega a um ensaio (risos)

Que música gostariam que tocasse no vosso funeral?
I’m Awake! Uma das nossas próximas músicas a serem lançadas e que será incluída no nosso primeiro EP que deverá estar disponível no início de 2017! (FG - Vá, mas do que já existe é "Highway to Hell", se é para desaparecer é com piada!)

Obrigado pelo tempo despendido, boa sorte para o futuro.
Obrigado nós, foi um prazer!

Terminamos agora ao som da música dos Fly the Sun e do mais recente single "Shout".

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