quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Conversas d'Ouvido com A Beta Movement


Entrevista com A Beta Movement, pela voz do guitarrista Pedro Cordeiro. Os A Beta Movement são compostos por Marcela Freitas (voz), Secundino Oliveira (baixo, teclas), Hugo Mesquita (bateria) e Pedro Cordeiro (guitarra, voz). Recuamos até 2013, ano em que os vimos ao vivo no então denominado Optimus D'Bandada e recordamos como se fosse hoje o fascínio que sentimos perante aquela mescla de indie rock com nunces de electrónica, pincelada com uma etérea voz. Nesta edição das "Conversas d'Ouvido", apresentamos uma das mais excitantes bandas que nasceu em Portugal nos últimos anos. Após um interregno dedicado a projectos paralelos, preparam o regresso que aguardamos com ansiedade, enquanto esse dia não chega, podem conhecê-los melhor nas linhas que seguem...


Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
Pedro Cordeiro: A música terá manipulado o cérebro em tenra idade, enraizou-se e foi assumindo o comando até aos dias de hoje. Isto no tempo em que a descoberta da música chegava em cassetes e vinil, vindas dos amigos, amigos dos amigos, primos mais velhos dos amigos e de familiares. As gravações caseiras dos programas de rádio, onde passavam as melhores musicas, para mais tarde repetir, eram os nossos podcasts.

Como surgiu o nome A Beta Movement?
O nome vem do conceito da experiência de Max Wertheimer, em 1912, uma ilusão de perceção. Descrito como uma sucessão de imagens paradas que cria uma sensação de movimento. A ideia da arte visual sempre esteve presente no nosso imaginário, o nome poderia assim ter várias leituras, entre as quais o de um movimento (música) ainda em fase beta (teste).

Em 2013, descobrimos a vossa música num concerto inserido no então denominado Optimus D’Bandada e ficamos com a clara sensação que tinham um potencial enorme e que iríamos ouvir falar de vocês. No mundo musical, é mais importante conhecer as pessoas certas? Estar na altura certa e no local exacto? Uma questão de sorte? Ou no fundo é tudo aleatório e o importante é fazer a música que se gosta?
Todas são relevantes e importantes, mas acreditamos no conceito romântico e praticamos a última.
O concerto que falam no D´bandada foi num ano muito importante para nós, onde tocamos bastante e alcançamos as nossas pequenas vitórias. Talvez tenha faltado algum dos elementos da vossa pergunta para que o efeito fosse maior, mas o potencial mantém-se 😉
A Beta Movement - "Blossom Age"
O vosso último EP, salvo erro, foi editado em 2013, encontram-se num período introspectivo?
Sim, Blossom Age é de 2013, com pré-lançamento de uma demo desse EP ainda em 2012, onde se iniciou a série de concertos até ao final de 2013. Após esse período, já com o projeto mais consolidado, quisemos fazer novas experiências, leia-se novas músicas. O processo apenas ficou atrasado devido aos projectos pessoais e profissionais dos atuais quatro elementos.

Querem apresentar-nos esses novos projectos?
Um dos projectos foi o algo[rítmico], uma plataforma de experimentação para sinergias entre música, gráficos digitais generativos e computação física, do Hugo e da Marcela. Ainda na área das artes, na música, a Marcela colaborou num outro projecto que está prestes a ver a luz do dia, à data ainda não pode ser divulgado.

Como gostam de descrever o vosso estilo musical?
Terá de conter a palavra indie, já que vem forçosamente da linha da composição.

Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico?
Por um lado, o nível de prazer que se atinge e do outro o trabalho extra criação e/ou performance que é necessário manter, muitas vezes sem qualquer resultado visível.

Quais as tuas maiores influências musicais?
Indie Rock anos 90

Como preferes ouvir música? Cd, vinil, k-7, streaming, leitor mp3?
Vinil, pela ligação afectiva com o objecto, mas hoje, ouço mais em streaming.

Qual o disco da tua vida?
Um é impossível de enumerar, teria de ser uma lista com … muitos, somos ouvintes de música compulsivos.

Qual o último disco que te deixou maravilhado?
Os de alt-J, Grizzly Bear, Ty Segall e Sylvan Esso……lá está ainda que nos recentes, não consigo ficar apenas por um.

O que andas a ouvir de momento/Qual a tua mais recente descoberta musical?
King Gizzard & the Lizard Wizard, escolho este apenas porque os vi este ano no Primavera (Porto) e os homens prometem lançar 5 álbuns em 2017, mas ouço sempre vários álbuns ao mesmo tempo. No meu spotify tenho sempre entre 10 a 15 álbuns para ouvir.

Qual a situação mais embaraçosa que já te aconteceu num concerto?
Tocar para 4 pessoas, sem que isso tenha retirado entrega à performance.

Com que músico/banda gostarias de efectuar um dueto/parceria?
Difícil de escolher, o Bowie já não está entre nós.

Para quem gostarias de abrir um concerto?
Seria novamente uma lista imensa…

Em que palco (nacional ou internacional) gostarias um dia de actuar?
Já tocamos em Coura, mas no exterior, agora era giro tocar num dos palcos principais.

Qual o melhor concerto a que já assististe?
Queens of the Stone Age, Sá da Bandeira,
Smashing Pumpkins. Cascais, na primeira vez em Portugal,
Nick Cave, Coliseu do Porto,
Cat Power, Bla Blá, Porto,
Radiohead. Coliseu Porto,
Dinosaur Jr., Primavera Porto
….. a ordem é aleatória, mas havia outros igualmente muitos bons.

Que artista ou banda gostavas de ver ao vivo e ainda não tiveste oportunidade?
Pavement
Sylvan Esso
Kurt Vile
Gorillaz
LCD Soundsystem

Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de teres nascido) em que gostarias de ter estado presente?
Nirvana, Cascais
David Bowie

Tens algum guilty pleasure musical?
Vou responder não.

Projectos para o futuro?
Lançar novo EP em 2018.

Que pergunta gostarias que te fizessem e nunca foi colocada? E qual a resposta.
Assim de repente não estou a ver.

Que música de outro artista, gostarias que tivesse sido composta por ti?
São muitas…. 😊
Mas esse é o lado bom para a motivação da composição.

Que música gostarias que tocasse no teu(vosso) funeral?
Vou dar a resposta óbvia, a “Wake Up” , do Funeral, dos Arcade Fire.

Obrigado pelo tempo despendido, boa sorte para o futuro.
Recuamos agora no tempo para ficarmos ao som dos A Beta Movement e do belíssimo EP, editado em 2013, Blossom Age.

Sem comentários:

Enviar um comentário