quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Conversas d'Ouvido com Isabela Nóbrega

Entrevista com a cantora e compositora Isabela Nóbrega. Podem reconhece-la por ter participado há uns anos no Factor X. O programa pode não lhe ter trazido a vitória, um contrato discográfico, ou um prémio monetário, mas trouxe-lhe algo muito maior, a certeza que transpirava música por todos os poros e queria partilhá-la com o mundo. Este ano lançou o seu álbum de estreia, "Young", num registo indie-pop com nuances de electrónica. Chegou a vez de a conhecermos um pouco melhor, nesta edição das "Conversas d'Ouvido"...


Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
Isabela Nóbrega: A paixão pela música surgiu aos 6 anos, quando os meus pais me inscreveram no conservatório. Durante este período, para além dos estudos direcionados para a música clássica, começei a desenvolver um profundo gosto pela composição e canto, comecei a aprender autoditaticamente guitarra, baixo e bateria.

Há uns anos atrás participaste no Factor X, olhando para trás o que é que o concurso te trouxe de positivo?
Antes do programa tinha apenas trabalhado como baterista freelancer, por isso estar num palco sem ser como baterista mas sim como cantora e com milhares de pessoas a assistir em direto, foi uma experiência completamente diferente. Ao longo das galas fui conseguido encarar o palco como algo desafiador, mas divertido e acabei por perceber que para além de me ter dado visibilidade, ajudou-me a compreender que não queria apenas ser baterista, mas ter um projecto meu onde pudesse exprimir-me com a música que gosto de fazer.

Na altura Isabela Santos, actualmente Isabela Nóbrega, esta pequena mudança, foi um romper com o passado e o assumir a vertente independente, ou foi casual?
O meu nome artístico sempre foi Isabela Nóbrega, mas como o meu apelido é Santos, por decisão do programa puseram este último nome.
Isabela Nóbrega - "Young"
Editaste recentemente o teu debut “Young”, para quem ainda não ouviu o que podemos esperar?
Sendo um álbum conceptual, "Young" baseia-se numa viagem realizada a partir da minha infância, passando pela adolescência até me tornar adulta. Abordo alguns temas falando sobre experiências na primeira pessoa, ou metáforas de situações às quais assisti ou que alguém próximo de mim viveu. O registo do álbum tem uma sonoridade influenciada pelo meu gosto eclético. Incide maioritariamente na esfera do som Pop-Rock, no entanto, em algumas das faixas misturo também electrónica. Combinei uma gama de sons melancólicos com riffs de guitarra, marcados pela forte presença de percussão. A minha ideia é que este álbum soe actual, mas que traga ao ouvinte uma sensação de melancolia, transportando-o no tempo até a actualidade.

Neste disco compões, escreves, cantas e tocas diversos instrumentos, em algum momento sentis-te ser um processo solitário, ou preferes essa introspecção?
Como compositora, foco-me melhor quando me isolo no estúdio a tentar diferentes sons, a experimentar diferentes instrumentos e plug-ins, sinto que para compor é dificíl estar em sintonia com mais pessoas e partilhar da mesma ideia e ficar exactamente como quero. Sou perfeccionista por defeito e quando componho as linhas melódicas por vezes perco horas só a escolher que som usar. Em palco irei tocar com banda pois acho que é uma experiência que se torna divertida ao partilhar com os outros membros, mas também porque ao fim de algum tempo, tocar sozinha torna-se um pouco solitário.

Como gostas de descrever o teu estilo musical?
Para mim esta questão é um pouco complicada pois sempre ouvi de tudo um pouco e gosto também de pensar que o meu álbum tem um leque vasto de influências. No entanto julgo que o meu estilo pode facilmente encaixar-se no Indie-Pop, Indie-Rock.

Para além da música, tens mais alguma grande paixão?
Tenho várias, uma dela é Moda. A roupa para mim é um meio de me exprimir como artista. As cores ou a ausência delas transmitem diferentes sentimentos. Acredito que as mesmas podem causar um grande impacto visual.

Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico?
A maior vantagem de ser músico é poder criar arte, apresentá-la e poder influenciar as pessoas com as nossas palavras e sons em forma de música. A desvantagem também pode ser o mesmo lado da moeda, dar o nosso máximo e não haver o mesmo retorno por parte do "público", mas acaba por ser sempre um desafio e um teste ao que mais gostamos de fazer.

Quais as tuas maiores influências musicais?
Como anteriormente referi, tenho um gosto bastante eclético e acho que é fundamental para um músico ter variadas fontes de inspiração. Como tal, gosto sempre de descobrir sons novos e dar também oportunidade a todos os géneros.

Como preferes ouvir música? Cd, vinil, k-7, streaming, leitor mp3?
Prefiro ouvir música em Mp3, devido à transportabilidade. A seguir diria Cd's, pelo processo de abrir um disco pela primeira vez e poder ler o booklet na íntegra enquanto oiço as faixas de seguida (como se fosse um livro). No entanto nada tira a magia dos Vinis antigos e de poder ouvir a música na sua forma original.

Qual o disco da tua vida?
Tenho vários. Como não consigo dizer só um vou mencionar três que adoro. Jay Jay Johanson - "The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known", G Dragon - "Coup D'etat", My Chemical Romance - "The Black Parade", estes Cd's marcaram fases importantes e muito diferenciadas da minha vida daí atribuir-lhes este valor.

Qual o último disco que te deixou maravilhada?
"24K Magic" do Bruno Mars, achei um disco fantástico, transporta-nos à era nostálgica dos anos 80 com inspirações visíveis de James Brown entre outros artistas. Uma das características mais notáveis do álbum foram as linhas melódicas dos Sintetizadores usados e a voz de Bruno que me deixa sempre fascinada.

O que andas a ouvir de momento/Qual a tua mais recente descoberta musical?
Porches. Têm um som muito melancólico com muita electrónica à mistura e captaram a minha atenção através do seu single "Car". Depois de ter ouvido esta música fui logo procurar o seu álbum no itunes (risos).

Qual a situação mais embaraçosa que já te aconteceu num concerto?
Felizmente nunca me aconteceu nada de embaraçoso em concerto, porém, quando tinha 12 anos e estava no CCB a cantar em ensaio com o coro juvenil do meu conservatório, caí do estrado, o que foi uma experiência muito desagradável. Até hoje não simpatizo muito com estrados de coro (risos).

Com que músico/banda gostarias de efectuar um dueto/parceria?
Daughter. As nossas vozes em conjunto e estilos poderiam dar origem a uma canção muito gira.

Para quem gostarias de abrir um concerto?
Adorava poder abrir um concerto para os Foals, Têm uma energia contagiante e seria um privilégio poder dividir o palco com eles.

Em que palco (nacional ou internacional) gostarias um dia de actuar?
Em Portugal gostava muito de actuar na Altice Arena, foi lá onde vi excelentes concertos. Internacionalmente o Tokyo Dome no Japão seria um excelente sítio para dar um grande espéctaculo.

Qual o melhor concerto a que já assististe?
Crystal Castles no Nos Alive e Beyoncé na Altice Arena. Foram os dois melhores concertos que assisti, CC pelos sons agressivos em palco e Beyoncé pela vertente de entretenimento, não sendo apenas um concerto de música mas sim uma performance extraordinária.

Que artista ou banda gostavas de ver ao vivo e ainda não tiveste oportunidade?
Jay Jay Johanson, é um músico compositor que adoro desde a minha adolescência e nunca tive oportunidade de o ver embora já tenha vindo a Portugal muitas vezes.

Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de teres nascido) em que gostarias de ter estado presente?
Adoraria ter visto o António Variações ao vivo, é um tesouro da música Portuguesa. Admiro-o muito pelo facto das músicas que fez estarem muito à frente do tempo ao qual foram feitas.

Tens algum guilty pleasure musical?
Tenho alguns... mas não vou revelar, senão deixaria de ser guilty pleasure (risos).

Projectos para o futuro?
Muitos concertos, fazer uma possível tour, espalhar a minha música pelo mundo.

Que pergunta gostarias que te fizessem e nunca foi colocada? E qual a resposta?
Esta pergunta é muito difícil. Posso dizer o contrário, não gosto que me façam a pergunta "Qual o futuro que a música dá?" Acho que mostra algum preconceito em relação ao trabalho que os músicos têm.

Que música de outro artista, gostarias que tivesse sido composta por ti?
"Who Wantsto Live Forever" dos Queen. A voz, as letras, o "feeling" incutido na música. Uma canção que ficará gravada na história, na minha opinião.

Que música gostarias que tocasse no teu funeral?
Um sambinha, ou algo leve e descontraído, a morte é algo inevitável e não quero ninguém triste nesse dia.

Obrigado pelo tempo despendido, boa sorte para o futuro.

Apresentamos agora o disco de estreia de Isabela Nóbrega, "Young", editado no início deste ano e que se encontra disponível para escuta e download através da plataforma Bandcamp.

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