quarta-feira, 16 de maio de 2018

Conversas d'Ouvido com Abril Belga

Entrevista com Abril Belga, projecto do compositor carioca Gabriel Franco. Após algumas experiências em diversas bandas, aventurou-se a solo, tendo editado este ano o álbum "99", gravado pelo próprio de forma totalmente independente, trilhando os caminhos do rock progressivo, com um toque folk, relevos de experimentalismo e uma estética psicadélica. Hoje o Ouvido Alternativo, viaja directamente para o Rio de Janeiro para ficar a conhecer o músico Abril Belga em mais um lançamento das "Conversas d'Ouvido"...


Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
Abril Belga: Ainda na escola primária, tive uma educação musical bacana. Estudei em um colégio meio “diferente” que dava aulas de música e em que todos os alunos participavam de um coral, que cantava um repertório de músicas brasileiras. 

Como surgiu o nome Abril Belga?
Abril Belga é quase um anagrama do meu nome. Meus sobrenomes já eram todos utilizados por outros músicos, e não acho que meu nome e sobrenome sejam sonoros. Joguei “Gabriel” em um gerador de anagramas, vi essas duas palavras juntas e achei que soavam bonitinho, e aí ficou isso, sem ter um significado maior.

Após integrares algumas bandas, como se despertou a vontade de te aventurares a solo?
Pela praticidade. Eu só tenho que me encaixar com a minha própria agenda. Eu gostava de tocar em bandas, mas é prático não depender de mais ninguém, só de mim mesmo.

Editaste este ano o disco “99”, para quem ainda não ouviu o que podemos esperar?
Algo simples, mas sincero. E tenha uma certa paciência, porque algumas músicas são longas, mas são boas.
Abril Belga - "99"
Conheces alguma coisa da música portuguesa?
Só Xutos e Pontapés. É impressionante como o Brasil exporta muita música mas não importa quase nada dos vizinhos próximos, tanto geograficamente, quanto no idioma. Eu queria conhecer mais música regional na verdade, inclusive aceito sugestões.

Como gostas de descrever o teu estilo musical?
O jeito que eu vejo como mais fácil seria “Indie Rock Progressivo” (risos). Por mais tenebroso e ridículo que esse termo possa soar, você vai saber o que esperar. Porque é Indie, mas as músicas são grandes e as estruturas não são sempre verso/refrão. 

Para além da música, tens mais alguma grande paixão?
Comida! E filmes.

Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico?
Acho que a maior desvantagem para muita gente também é a maior vantagem: hoje é muito difícil viver só de música, principalmente sendo independente. Mas isso é ótimo também, porque eu acho que viver uma vida simples, fazer outras coisas que não sejam só música, é muito bom pra compor cada vez melhor. 

Quais as tuas maiores influências musicais?
Acho que músicos que “exploram” a parte da gravação, são compositores - além de instrumentistas - e tem uma filosofia que eu gosto, mas não necessariamente toco ou componho parecido com eles: Brian Wilson, Beck. E músicos que gostam de escrever, que fazem letras boas ou letras legais: Ray Davies (The Kinks), Leonard Cohen, Luiz Venâncio (Pullovers), etc.

Como preferes ouvir música? Cd, vinil, k-7, streaming, leitor mp3?
O streaming tem sido o que eu mais tenho usado porque é prático de ouvir música na rua, no metrô, em casa. Mas o melhor jeito, independentemente da plataforma, é ouvir um álbum inteiro do começo ao fim.

Qual o disco da tua vida? 
Isso é muito difícil de responder. Mas um disco que me marcou e me iniciou a brincar de guitarra foi o "London Calling", dos The Clash. Depois de ouvir com uns 9 ou 10 anos, ali começou muita coisa. 

Qual o último disco que te deixou maravilhado? 
Acho que o "Crack-Up", dos Fleet Foxes (2017). Mas maravilhado mesmo foi em 2016, com o "Teens of Denial", do Car Seat Headrest.

O que andas a ouvir de momento/Qual a tua mais recente descoberta musical?
Eu tenho reescutado mais música brasileira, aquela galera de Minas Gerais: Lô Borges, Milton Nascimento, Toninho Horta. E as descobertas recentes são músicas antigas também. Eu descobri a carreira solo do Pete Townshend e tô ouvindo muito o álbum chamado "Who Came First".

Qual a situação mais embaraçosa que já te aconteceu num concerto?
Tropeçar e cair em cima de um pedal de guitarra e acidentalmente desligar o meu som inteiro ao vivo.

Com que músico/banda gostarias de efectuar um dueto/parceria?
Brian Wilson.

Para quem gostarias de abrir um concerto?
Brian Wilson, só pra conversar com ele depois ou antes.

Em que palco (nacional ou internacional) gostarias um dia de actuar?
Meu quarto fazendo uma livestream! Brincadeira, eu gostaria de tocar em algum festival grande, mas antes eu tenho que arrumar uma banda com um número razoável de integrantes para tocar ao vivo.

Qual o melhor concerto a que já assististe?
Quando eu era adolescente, aos 18 anos, foi bem legal ver o show do Strokes, em São Paulo.

Que artista ou banda gostavas de ver ao vivo e ainda não tiveste oportunidade?
David Bowie =(

Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de teres nascido) em que gostarias de ter estado presente?
The Who no final dos anos 60.

Tens algum guilty pleasure musical? 
Charlie Brown Jr.! Não é exatamente um guilty pleasure, mas é isso aí.

Projectos para o futuro?
Gravar mais discos até morrer.

Que pergunta gostarias que te fizessem e nunca foi colocada? E qual a resposta.
Por que você sempre usa a mesma roupa? Eu compro várias camisetas iguais.

Que música de outro artista, gostarias que tivesse sido composta por ti?
"Here Today" – The Beach Boys 

Que música gostarias que tocasse no teu funeral?
"Gabriel", do Beto Guedes.

Obrigado pelo tempo despendido, boa sorte para o futuro.

Antes de terminarmos, ficando ao som do mais recente disco "99", editado este ano e que se encontra disponível para escuta e download possivelmente gratuita através da plataforma Bandcamp.

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