segunda-feira, 14 de maio de 2018

Conversas d'Ouvido com Nowhere To Be Found

Entrevista com a banda portuguesa Nowhere To Be Found, que mergulham de cabeça nas agitadas águas do metal e rock alternativo. Projecto actualmente composto por Manel Gomes (baixo), Miguel Rodrigues (bateria), Tiago Duarte (voz) e João Quintais (guitarra). Anteriormente conhecidos como Insch, reinventaram-se e preparam a edição de um novo disco, que assinalará essa renovação. O futuro disco contará com a produção de Henrik Udd (Bring Me The Horizon, e a masterização do lendário Ted Jensen (Green Day, Norah Jones, Metallica, Muse, Deftones, Slipknot, Coldplay, Madonna, Paul McCartney, Eagles, Talking Heads e Alice in Chains, entre outros). Dia 18 de Maio lançam novo single com a participação de Emily Lazar dos americanos September Mourning, hoje são os mais recentes convidados das "Conversas d'Ouvido"...


Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
Bom isso é uma questão tão “simples” como “qual o sentido da vida”. [risos] Acho que o processo de “paixão” é uma descoberta muito pessoal, não é algo que se tome e pronto, queremos ser músicos. Acho que simplesmente tivemos sorte de nascer um pouco mais atrás numa fase em que os miúdos no secundário puxavam muito uns pelos outros em termos musicais e de se ter uma banda. Toda a gente tinha uma banda, era assim que funcionava. E o bichinho ficou.

Como surgiu o nome Nowhere to be Found?
De semanas de brainstorm. Queríamos encontrar um nome que tivesse beleza na forma e no conteúdo e isso deu muito trabalho. É pior que escolher o nome para um filho. (risos)

A banda mudou de nome, abandonando o original Insch, no entanto podiam ter terminado os Insch e iniciarem um novo projecto. Foi um processo de reinvenção, mas sem cortar as raízes com o passado?
Foi exatamente isso. Não foi uma tentativa de cortar com o que ficou para trás, mas apenas uma tentativa de nos reinventarmos e parte do processo de crescer para uma coisa que não éramos. O medo de mudar é uma coisa natural mas eventualmente concordámos que o queríamos fazer.

Como foi a experiência de colaborarem com Henrik Udd e Ted Jensen?
Acho que é justo dizer que, para qualquer um de nós, será uma daquelas coisas que não nos vamos esquecer, por mais anos que passem. Com o Ted o processo foi todo muito profissional mas muito competente, totalmente alinhado com aquilo que ele faz com os maiores da indústria, não houve possibilidade de o conhecermos muito bem, já com o Henrik foi diferente. O próprio trabalho de estúdio tem outra natureza: ou solidifica ou destrói amizades. É muito intenso. E no nosso caso, construímos uma belíssima amizade, ainda hoje temos um grupo comum em que falamos regularmente… o Henrik é uma daquelas pessoas que sentimos que podia ser um nosso amigo de infância, fora da música. E é um produtor com um talento que não dá para negar, tem a técnica e o ouvido, entende o feeling da coisa, dá espaço ao artista para materializar a sua visão. É completo, como produtor e pessoa.

Encontram-se a preparar o segundo disco, já podem levantar o véu sobre o que podemos esperar?
Não! [risos] Bom a verdade é que passados uns meses do lançamento do primeiro disco demos por nós numa situação um pouco desconfortável. As rádios nacionais não nos passavam, a indústria não procurava rock em inglês, os festivais tocavam o nosso som mas só vindo lá de fora. Ouvimos de tudo, desde “passam a cantar em português” a “façam coisas mais pop para terem antena”. E portanto… decidimos ficar mais pesados. [risos] Portanto podem esperar atitude.

Como gostam de descrever o vosso estilo musical?
Detestamos. Mas agora está a avançar de um rock alternativo para um metal alternativo. Sem medos de usar a palavra metal.

Para além da música, têm mais alguma grande paixão?
Nem por isso. Somos bastante (muito!) heterogéneos nos nossos gostos, outros hobbies e tudo mais, mas o termo “paixão” só é forte suficiente para a música.

Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico?
A maior vantagem é passarmos muito tempo a fazermos o que mais gostamos na vida, a maior desvantagem é que é uma montanha russa emocional. Porque colocamos o coração e a alma no que fazemos e isso torna a crítica e a rejeição muito pessoal.

Quais as vossas maiores influências musicais?
Somos muito (mas mesmo muito) distintos nas nossas influências, aquilo em que concordamos é o grunge dos 90's e o nu metal dos 00's. Mas ouvimos tudo de pop a metalcore, e partilhamos entre nós.

Como preferem ouvir música? Cd, vinil, k-7, streaming, leitor mp3?
2 dos 4 são colecionadores de vinil mas não sejamos ingénuos, praticamente só ouvimos mp3. A comodidade vence 99% das vezes.

Qual o disco da vossa vida?
Vamos responder de outra forma, dado que isso é impossível de responder, não há apenas um álbum que recrie ou se eleve acima de todos os outros em todos os campos. Vamos dizer o álbum que fez com que cada um de nós quisesse vir a ser músicos, um dia:
Manel: “Enema Of The State” de Blink-182;
Miguel: “The Central Park Concert” de Dave Matthews Band;
João Quintais: “Official Live: 101 Proof” de Pantera;
Tiago: “Unplugged in New York” de Nirvana.

Qual o último disco que vos deixou maravilhados?
O “All Our Gods Have Abandoned Us” dos Architects, um dos motivos pelos quais quisemos muito trabalhar com o Henrik.

O que andam a ouvir de momento/Qual a vossa mais recente descoberta musical?
Muitíssimo difícil de responder, todos os dias nos desafiamos e enviamos músicas uns aos outros. Mas talvez Of Mice & Men, que nenhum de nós conhecia há muito e nos tem deixado viciados.

Qual a situação mais embaraçosa que já vos aconteceu num concerto?
A organização desligar-nos o som a meio da última música porque achava que já chegava.

Com que músico/banda gostariam de efectuar um dueto/parceria?
Neste momento, com o Oliver Sykes dos Bring Me The Horizon

Para quem gostariam de abrir um concerto?
Neste momento, para os Bring Me The Horizon

Em que palco (nacional ou internacional) gostariam um dia de actuar?
NOS Alive (por termos assistido tantas vezes ao vivo) e Rock am Ring (por termos visto mil concertos no Youtube)

Qual o melhor concerto a que já assistiram?
Não vais acreditar mas acho que nunca vimos nenhum concerto juntos. Somos uma banda miserável [risos].

Que artista ou banda gostavam de ver ao vivo e ainda não tiveram oportunidade?
Bring Me The Horizon

Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de terem nascido) em que gostariam de terem estado presentes?
Woodstock 99

Têm algum guilty pleasure musical?
Katy Perry. Toca muitas (demasiadas) vezes no tour bus e nos camarins.

Projectos para o futuro?
Dado o momento da música em Portugal e o contra-ciclo em que teimamos, achas que precisamos de mais algum desafio?!

Que pergunta gostariam que vos fizessem e nunca foi colocada? E qual a resposta.
Q: “Qual a sensação de tocar para 72.000 pessoas em Wembley?”. 
R: “Um dia dizemos-te”

Que música de outro artista, gostariam que tivesse sido composta por vocês?
Acho que invejamos (inveja boa!) um pouco os criadores de todas as músicas que mexam connosco ou que nos influenciam, mas nunca ao ponto de as querer roubar. Criar é um processo tão pessoal que é muito fácil desejar-se o resultado final sem imaginar o caminho que aquela pessoa ou banda viveu para ali chegar.

Que música gostariam que tocasse no vosso funeral?
I’ll Be Back” dos The Beatles

Obrigado pelo tempo despendido, boa sorte para o futuro.
Para o fim, ficamos com o teaser, que antecipa o futuro single "Closer", com edição prevista para dia 18 de Maio.

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