domingo, 25 de março de 2018

Reportagem - Bob Dylan ao Vivo em Lisboa

O cantor, compositor e poeta americano Robert Allen Zimmerman, conhecido simplesmente como Bob Dylan, regressou no passado dia 22 de Março a Portugal. O seu primeiro concerto no nosso país enquanto prémio Nobel da Literatura, esgotou a Altice Arena em Lisboa, para um concerto que dividiu opiniões, mas Bob Dylan, foi igual a si próprio...
Praticamente à hora marcada, denotando uma pontualidade a que o público português não está habituado, Bob Dylan entrou em palco, acompanhado pela sua banda, para o início da "Never Ending Tour 2018". Enquanto os habituais "atrasados", procuravam o seu lugar, já o concerto havia começado. Um palco simples, sem grandes artefactos, mas encantador, um conjunto de luzes sóbrio, mas deslumbrante, serviam para aquecer o ambiente e transportar-nos para o que de mais belo os Estados Unidos têm, a sua música, o blues, o folk e o country.

Acompanhado pela sua banda: bateria, guitarra, contrabaixo, violino e o piano que o músico de 76 anos, dedilhou durante praticamente todo o concerto.
O histórico autor de "Bonde on Blonde" é um nome incontornável da história musical e vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 2016. Acompanhado pela sua banda, trouxe consigo mais de cinquenta anos de carreira e uma extensa discografia, tendo o mais recente álbum, Triplicate sido esquecido, bem como a década de 80.
Sem direito a um "Olá", ou "Boa Noite", o concerto começou ao som de "Times Have Changed", do disco "Modern Times", de 2006. Vagueando entre temas mais recentes como "Pay in Blood" ou "Soon After Midnight" e clássicos fundamentalmente da década de 60 e 70, como "Highway 61 Revisited", ou "Tangled Up In Blue".
Bob Dylan, é um dos nomes maiores da história da música, conta com mais de cinco décadas de carreira, uma discografia extensa com mais de três dezenas de álbuns, motivo pelo qual iriam sempre faltar alguns temas incontornáveis, neste caso ficaram de fora alguns sucessos como "Knocking on Heaven's Door", "Like a Rolling Stone", "Mr. Tambourine Man" ou "Subterranean Homesick Blues".
Bob Dylan, não se fixa num único rótulo a sua música com forte carga política e poética, percorre o que podemos denominar de folk, blues, rock'n'roll e country.
Sem nunca se dirigir ao público, contagiou-nos com o que realmente importa a sua música e a sua Canção (com letra maiúscula). 
Um cantor e compositor de excelência é pouco para o definir. A profundidade da sua obra é inigualável, seríamos sempre parcos em palavras para definir a sua música, mas mesmo assim não viramos a cara a um desafio: ora provocador, ora subtil, ora delicado, ora charmoso, ora profundo, ora poeta, ora cantor, ora compositor, ora pintor, mas sempre repleto de sentimento e sinceridade.
Após tantos galardões que arrecadou durante a sua vida, entre diversos grammy, um Oscar e um globo de ouro, só lhe faltava mesmo o prémio Nobel da Literatura.
Não podemos ignorar que a sua voz, não é a sua maior arma, mas triste daqueles que julgam música apenas pela qualidade vocal do intérprete, Leonard Cohen, Tom Waits, Lou Reed e John Lennon não eram/são Frank Sinatra, mas as suas obras são maiores do que os próprios artistas e as suas vozes penetrem-nos a alma de uma forma inexplicável.
A voz de Dylan pode não ter o alcance e amplitude de outras, mas tem o sentimento que poucas conseguem, e que ficou bem presente no tema "Make You Feel My Love", recentemente popularizado por Adele.
Neste concerto sentimos falta da sua harmónica e da sua guitarra, mas a sua vitalidade não é mesma e a sua juventude interna não se coaduna com a sua idade, levantou-se por breves momentos agarrou-se ao microfone de pé e interpretou já perto do fim do concerto "Why Try to Chance Me Now". Voltou-se a sentar e despediu-se ao som de "Love Sick".
O público levantou-se aplaudiu e após uma breve pausa, Dylan regressou para um encore servido ao som da belíssima "Blowin' in the Wind" e "Ballad of a Thin Man".
Ergueu-se por última vez e junto da sua banda fitou por breves momentos o público e sem dizer "Adeus", recebeu uma ovação de pé, como só os grandes merecem. 
Bob Dylan é um verdadeiro poeta das canções e nesta noite em Lisboa, foi igual a si próprio não é o que queremos que ele seja ou que os outros esperam dele, é simplesmente Dylan e isso já é ser MUITO...   


Confiram a seguir o alinhamento:
  • "Things Have Changed"
  • "It Ain't Me, Babe"
  • "Highway 61 Revisited"
  • "Simple Twist of Fate"
  • "Summer Days"
  • "Make You Feel My Love"
  • "Honest With Me"
  • "Tryin' to Get to Heaven"
  • "Don't Think Twice, It's Alright"
  • "Pay in Blood"
  • "Tangled Up in Blue"
  • "Soon After Midnight"
  • "Early Roman Kings"
  • "Desolation Row"
  • "Spirit on the Water"
  • "Thunder on the Mountain"
  • "Why Try to Change Me Now"
  • "Love Sick"
Encore:
  • "Blowin' in the Wind"
  • "Ballad of a Thin Man"

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