sábado, 21 de julho de 2018

Conversas d'Ouvido com Inês Pimenta

Entrevista com a deslumbrante cantora e compositora Inês Pimenta. A música entrou cedo na sua vida, pelo meio, o percurso académico levou-a até à arquitectura, explorou fotografia e vídeo, mas a música nunca deixou de estar presente. Após experiências prévias em outros projectos, aventurou-se a solo com o desejo de mostrar ao mundo as suas composições. Uma voz delicada, pincelada com um toque jazzy, que por momentos nos transporta para o universo de Margarida Pinto. Prepara-se para editar o EP "Son of Daedalus", com edição prevista para dia 28 de Setembro, enquanto esse dia não chega, vamos conhecê-la melhor nesta edição das "Conversas d'Ouvido"...

Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
Inês Pimenta: Não me lembro de um momento específico. É um amor antigo, enraizado desde a infância. Acho que grande parte dos que fazem música irão responder algo bastante semelhante.
Desde que me lembro que “a música” faz parte de casa, da família, das pessoas. Daí a fazer música foi um processo natural e um escape fácil e imediato. Sempre existiu.

Após algumas experiências prévias em outras bandas e projectos, como apareceu a vontade de te aventurares a solo?
Mostrar as minhas canções foi unicamente um acto de coragem. Sabia que tinha que acontecer. Só não sabia quando. Percebi que este era o momento quando todas estas canções num movimento de magia se uniram e faziam sentido. Contavam uma história...
Isso unido ao momento em que a vontade de concretizar algo, foi maior que a timidez, a exigência.
“O que for soará”, dizia-me a minha avó. Soou. Só isso.

Afirmas que “Ícaro é a personificação do que quero cantar, não ter medo de voar”. Podemos interpretar que também não tens medo de sofrer, porque o importante é sentir?
Obviamente que tenho medo de sofrer. Só não pretendo que o “medo” seja uma castração, uma condicionante. Ícaro, acima de tudo arriscou. Isso interessa-me.

Quais as tuas maiores influências musicais?
É tão difícil esta pergunta. Quero crer que tudo o que oiço me influencia.

Como gostas de descrever o teu estilo musical?
Gostava que fosse “o-som-de-uma-pessoa-que-conta-histórias-sinceras”.

Para além da música, tens mais alguma grande paixão?
Tive sempre dúvidas ao longo do percurso académico e para apaziguá-las, fui explorando fotografia e vídeo em paralelo com o curso de arquitectura. São outras formas de comunicar.

Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico?
A maior vantagem, é na verdade a sua maior desvantagem. Por muito que tentemos ser outras coisas, já somos músicos.

Como preferes ouvir música? Cd, vinil, k-7, streaming, leitor mp3?
Hoje em dia oiço tudo no Spotify. As melhores descobertas musicais ultimamente e incrivelmente têm sido feitas no youtube!

Qual o disco da tua vida?
Chico Buarque - "Construção"

Qual o último disco que te deixou maravilhado?
André Matos e Sara Serpa - "Primavera", Radiohead - "A Moon Shaped Pool" Vardan Ovsepian e Tatiana Parra - "Lighthouse"

O que andas a ouvir de momento/Qual a tua mais recente descoberta musical?
Luísa Lacerda (cantora brasileira) Tim Bernardes (músico brasileiro)

Qual a situação mais embaraçosa que já te aconteceu num concerto?
Esquecer-me da letra e inventar “inloco” uma.
Com que músico/banda gostarias de efectuar um dueto/parceria?
Chico Buarque, Caetano Veloso, Fausto, Sara Serpa, Róisín Murphy, Edu Lobo, BBNG, Grizzly Bear. Erykah Badu, Linda Martini, Dj Shadow, Aphex Twin, Thundercat, Jakob Bro, Ben Allison, Luísa Lacerda, Rita Maria... (não iria sair daqui).
Gostava de fazer música com quase todos os meus amigos músicos, ainda por cima são muitos. Ia-me dar muito trabalho, mas acho que ia ser muito feliz.

Para quem gostarias de abrir um concerto?
Nunca pensei nisso.

Em que palco (nacional ou internacional) gostarias um dia de actuar?
Acho que estou a ser negligente. Também não me debrucei sobre isso. Eu só quero mesmo tocar e tocar bem.

Qual o melhor concerto a que já assististe?
Gostei muito de ver Hermeto Pascoal no FMM, e adorei The Mars Volta no PDC. Depois há o caso de concertos que quando assistes para além de bons, sentes orgulho, porque são amigos, porque é boa gente. Eu não sei desassociar.
É o caso da Sequin, dos Quartoquarto, dos SAUR, da Beatriz Pessoa, das HAEMA.

Que artista ou banda gostavas de ver ao vivo e ainda não tiveste oportunidade?
Chico Buarque.

Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de teres nascido) em que gostarias de ter estado presente?
Qualquer um do Tom Jobim.

Tens algum guilty pleasure musical?
Eu não me sinto culpada. Adoro grande parte da música de dança dos anos 90.
Crystal Waters - "Gypsy Woman (She's Homeless)". É um dos preferidos.

Projectos para o futuro?
Fazer um álbum musicalmente oposto deste. Explorar outros géneros, ser outra pessoa musical.

Que pergunta gostarias que te fizessem e nunca foi colocada? E qual a resposta?
Esta pergunta é em si, uma pergunta que nunca me tinham feito e para qual não tenho resposta e até acho piada à mesma!

Que música de outro artista, gostarias que tivesse sido composta por ti?

Que música gostarias que tocasse no teu funeral?
Não tenciono morrer. Obrigado.

Obrigado pelo tempo despendido, boa sorte para o futuro.

Terminamos ao som do mais recente single, "Prata", que se encontra disponível para escuta e download, através da plataforma Bandcamp.

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