quarta-feira, 18 de julho de 2018

Conversas d'Ouvido com The Self-Escape

Entrevista com The Self-Escape, projecto do músico brasileiro Felipe Buarque. Proveniente de Pernambuco, o produtor e compositor editou em nome próprio, no ano passado, o aclamado EP "Uma Carta de Mudança". Num cruzamento entre blues, rock e synth-pop, Felipe Buarque suprime a sua identidade, procurando a liberdade criativa em novas sonoridades e experiências, sob o pseudónimo de The Self-Escape. É precisamente assim que se apresenta ao público nacional nesta edição das "Conversas d'Ouvido"...


Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
The Self-Escape: A paixão pela música sempre foi algo vivo em mim, desde que me lembro. Mas acredito que tenha muita relação com meu pai, que sempre estava cantando e ouvindo músicas, seja em casa ou no caminho para a escola. 

Como surgiu o nome The Self-Escape? É um alter-ego?
The Self-Escape surgiu a partir da real necessidade de começar uma nova etapa na minha carreira. Com o nome em si, eu queria passar essa imagem de poder escapar de algum lugar em que a pessoa não queira estar, ou para um lugar que a pessoa queira ir. Quanto a ser um alter-ego, eu nunca tinha pensado nisso, mas sinto que seja sim (risos). 

Sabemos que foste aprofundando os conhecimentos a nível de produção, foi um desejo ou uma necessidade?
Foi uma junção dos dois, na verdade. Desde cedo sempre idolatrei mais os meus ídolos que criavam a maior parte de suas músicas, acredito que isso realmente mostra as verdades do artista. Tive algumas boas experiências com outros produtores e músicos, mas realmente senti a necessidade de fazer soar da maneira mais fiel possível o que realmente me atrai na música. 

Quais as tuas maiores influências musicais?
Eu gosto de dizer que John Mayer, Red Hot Chili Peppers, Alt-J e Chet Faker são quatro grandes marcos na minha vida, seja como cantor, compositor, guitarrista ou produtor. Cada um desses abriu minha mente para vertentes diferentes e me fizeram conhecer e admirar, muitos outros artistas como BB King, Jimi Hendrix, The xx, The Weeknd, Stevie Ray Vaughan, Two Feet, Alex Vargas, Gallant, entre outros. 

Como gostas de descrever o teu estilo musical?
Deixei essa pergunta por último pra tentar responder de uma maneira melhor, mas não consigo definir exatamente (risos). Diria que é algo como um Intimate Pop ou Indie New Blues. 

Conheces alguma coisa da música portuguesa?
Conheço a cultura e alguns gêneros, mas nenhum artista em específico. Cheguei a acompanhar o último The Voice Portugal por causa de Tiago Nacarato, que canta algumas músicas brasileiras também. 

Para além da música, tens mais alguma grande paixão?
Gostaria de dizer que sim, mas acredito que não (risos)! As únicas coisas que amo tanto quanto a música são minha família e meus amigos. 

Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico?
A vantagem certamente, pra mim, é poder tocar as pessoas da mesma maneira que as obras dos meus ídolos me tocaram. Ver essa conexão realmente traz uma sensação inexplicável. Quanto à desvantagem, ficar refém de um mercado que pode não ser justo traz algumas inseguranças, mas ainda assim acredito que músicas boas se conectam com as pessoas, independente de qualquer coisa. 

Como preferes ouvir música? Cd, vinil, k-7, streaming, leitor mp3?
No dia-a-dia ouço por streaming, mas gosto muito de colecionar CD's! 

Qual o disco da tua vida?
Um só é muito difícil (risos), mas o "An Awesome Wave", de Alt-J, mudou minha perspectiva de como enxergar a música de uma maneira muito drástica quando eu já tinha muitos conceitos solidificados. 

Qual o último disco que te deixou maravilhado?
O disco "In The Silence", de um islandês chamado Ásgeir. São muitas sonoridades diferentes, letras muito bonitas e uma produção impecável. 
O que andas a ouvir de momento/Qual a tua mais recente descoberta musical?
Um multi-instrumentista e produtor chamado Jack Garratt! A performance dele ao vivo é impressionante e as músicas muito bem trabalhadas. 

Qual a situação mais embaraçosa que já te aconteceu num concerto?
Nunca tive situações muito embaraçosas (risos), mas no primeiro show com essas músicas novas, não lembrava que tinha afinado meu violão de uma maneira diferente e como estava sem retorno, errei a música quase inteira. 

Com que músico/banda gostarias de efectuar um dueto/parceria?
Gostaria muito de fazer uma música com Chet Faker, ele me parece um cara muito inteligente como compositor e produtor. 

Para quem gostarias de abrir um concerto?
Para os Red Hot Chili Peppers, a energia deles e do público sempre deixou impressionado. 

Em que palco (nacional ou internacional) gostarias um dia de actuar?
Certamente o Rock in Rio, dezenas de milhares de amantes de música querendo se divertir e cantar me soa com algo quase utópico. 

Qual o melhor concerto a que já assististe?
Tive a sorte de conseguir assistir a um show de BB King antes de ele falecer. Pela magnitude do que ele representa na história da guitarra, do blues e da música, realmente foi a minha melhor experiência. 

Que artista ou banda gostavas de ver ao vivo e ainda não tiveste oportunidade?
Tem muitos que gostaria de ver, mas ainda não desisti (risos)! Mas um artista que eu gostaria de ver ao vivo e não poderei mais ver é Stevie Ray Vaughan, ele sempre aparentava ser muito visceral e musical ao vivo. 

Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de teres nascido) em que gostarias de ter estado presente?
O Live at Slane Castle, do Red Hot Chili Peppers. Acredito que naquele concerto eles chegaram no ápice da performance que uma banda pode chegar. 

Tens algum guilty pleasure musical?
De uns tempos pra cá, mudei meus conceitos quanto a isso, acredito que toda música que te faz sentir bem não deve ser considerada um guilty pleasure. Mas diria que Dua Lipa pode ser considerada um guilty pleasure meu, as músicas delas são muito boas e a voz espetacular. 

Projectos para o futuro?
Pretendo sair do Brasil para lançar um álbum completo e fazer mais concertos. Por enquanto, estou lançando singles e EP's para ir encontrando meu público, mas quero muito estar em uma cidade com grande cenário musical, como Nova Iorque ou Toronto. 

Que pergunta gostarias que te fizessem e nunca foi colocada? E qual a resposta.
É muito difícil dizer (risos)! Mas gostaria de falar um pouco mais sobre minhas inspirações, que geralmente são ligadas às paixões e histórias que vivi. 

Que música de outro artista, gostarias que tivesse sido composta por ti?
"I Can’t Go On Without You", de Kaleo. É uma música muito pouco conhecida mas muito completa, desde a letra até os arranjos e a interpretação.

Que música gostarias que tocasse no teu funeral?
Na verdade, não gostaria de ter um funeral tradicional. Quando essa hora chegar, quero que as pessoas celebrem momentos bons que viveram comigo, talvez com minhas próprias músicas (risos). 

Obrigado pelo tempo despendido, boa sorte para o futuro.
Eu que agradeço o convite! Espero poder tocar em Portugal logo, logo.

Terminamos ao som de The Self-Escape e do mais recente single "Five-Two Girl".

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