sábado, 8 de outubro de 2016

Conversas d'Ouvido com Ararur


Ararur, banda nacional que funde world music e jazz, denotando-se raízes na música tradicional portuguesa. Quinteto composto por António Silva (compositor, guitarra), Ângela Santos (letras, voz), João Capinha (saxofones), Francisco Brito (Contrabaixo) e João Rijo (bateria). Estrearam-se em 2013 com álbum homónimo, após o enorme sucesso do seu debut, preparam-se para editar o segundo disco. Momento ideal para serem os convidados desta edição das "Conversas d'Ouvido", onde ficamos a conhecê-los um pouco melhor, pela voz do mentor António Miguel Silva...


Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
António (Ararur): Lembro-me que um vizinho meu começou a aprender guitarra. Ouvir música sempre tinha sido uma paixão, mas julgo que nesta altura com o intuito de formarmos um grupo musical decidi começar também a aprender guitarra. O progresso foi muito rápido e sempre com muito gosto. A partir daí nunca mais parei de tocar. Desisti do curso de economia para me dedicar à música e foi o melhor que fiz.

Como surgiu o nome Ararur?
Estávamos a trabalhar no nosso primeiro CD e estava a pensar num nome para o grupo. Nada surgia. Numa noite estava deitado a tentar adormecer quando me surgiu o nome Ararur. Tive de me levantar e escrever o nome para não me esquecer, percebi que tinha sido uma inspiração.

Consegues explicar-nos como se desenvolve o vosso processo criativo?
Este grupo surgiu para dar vida às minhas composições, portanto o primeiro passo é aparecer uma ideia musical. Cada vez mais reparo que se simplesmente permitir que melodias surjam, facilmente a base de um tema aparece. Quando tenho algo que se assemelha com uma música completa o grupo entra em ação. A Ângela ouve os temas e consegue perceber quais são próprios para terem letra. Ela tem uma função muito importante na identidade das músicas Ararur. Muitas vezes as melodias aparentam ser mais simples do que realmente são e não só a Ângela consegue fazer letras únicas e especiais, como consegue depois passar ao público a ideia de que é fácil cantá-las. O último passo é ensaiar com o grupo. Há sempre espaço para melhorar as músicas e, na verdade, por vezes precisam mesmo de ser melhoradas. Sei que depois de tocarmos um tema uma vez vou ter ideias e comentários de parte de todos os músicos e sei que tenho de ter mente aberta para as sugestões que melhoram sempre as músicas.

O que podemos esperar do vosso novo disco?
No nosso primeiro disco cada música tinha uma identidade, cada música era uma história ou um universo em si mesmo. Neste segundo CD o mesmo sucede, com a diferença que para além de serem músicas muito diferentes entre si, também não se assemelham às músicas do primeiro disco. É uma fusão de Jazz, música improvisada, World Music, Pop, letras em português e instrumentais. Não encontro rótulo para nós, mas acho que quando ouvem as nossas músicas facilmente conseguem identificar que é Ararur.

Sentem a pressão do segundo álbum?
O processo de preparação e gravação deste álbum foi muito rápido, mas ao mesmo tempo acho que foi feito de forma mais relaxada que o anterior. No sentido musical acho que não temos pressão. No que me diz respeito julgo que há é mais ansiedade que este álbum consiga alcançar ainda mais público e sucesso que o primeiro.

Para além da música, tens mais alguma grande paixão?
Filmes é o meu hobbie.

Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico?
Fazer o que gosto é a maior vantagem. A desvantagem é igual para qualquer profissão: há sempre obstáculos a atravessar para continuarmos a fazer o que gostamos.

Quais as tuas maiores influências musicais?
Eu fui influenciado primeiro por grupos como Pearl Jam, Radiohead, Tool e Björk, depois comecei a ouvir mais músicos ligados ao Jazz como John Scofield, Bill Frisell, Brad Mehldau, Keith Jarrett, Esbjörn Svensson Trio, Dave Holland Quintet. Pareço sempre regressar também a Eliane Elias e à banda sonora do filme Magnólia (Aimee Mann). E adoro Ennio Morricone.

Como preferes ouvir música? CD, Vinil, K-7, Streaming, leitor mp3?
Na minha aparelhagem através de CD ou leitor de mp3.

O streaming está a “matar” ou a “salvar” a música?
Nem uma nem outra. A música não morre. Quanto à indústria musical, tudo depende das pessoas e do que fizermos.

Qual o disco da tua vida?
Não consigo escolher um. Mas adoro o CD do Marc Johnson -”The Sound of Summer Running”

Qual o último disco que te deixou maravilhado?
Talvez Ned Ferm - “Spent all the Money”

O que andas a ouvir de momento/Qual a tua mais recente descoberta musical?
Redescobri Charlie Parker.

Qual a situação mais embaraçosa que já vos aconteceu num concerto?
Não sei, sei que já houve enganos que não gostámos de fazer, mas não me lembro de algo ter corrido mesmo mal ao ponto de ainda hoje pensar nisso. Lembro-me que quando tocámos no Brasil o som que estava no palco era muito mau o que tornou a experiência bastante difícil.

Que músico/banda já te desiludiu a nível musical/ou em concerto ao vivo?
Não gostaria de referir ninguém em particular. Por vezes há concertos que correm menos bem e a nível musical há sempre subjetividade. O mais importante é sentirmos que nós estamos a fazer o melhor que pudemos.

Com que músico gostarias de efectuar um dueto/parceria?
No meu caso: John Scofield.

Para quem gostarias de abrir um concerto?
Radiohead

Em que palco (nacional ou internacional) gostariam um dia de actuar?
Qualquer palco onde as pessoas estejam presentes e interessadas em ouvir a música.

Qual o melhor concerto a que já assististe?
Lembro-me que um concerto dos Radiohead já faz vários anos me marcou bastante.

Que artista ou banda gostavas de ver ao vivo e ainda não tiveste oportunidade?
Talvez, Dave Matthews Band.

Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de teres nascido) em que gostarias de ter estado presente?
Um concerto dos Weather Report com Jaco Pastorius.

Qual o teu guilty pleasure musical?
Bryan Adams faz-me sempre retornar à minha infância.

Projectos para o futuro?
De momento estou a compor e a fazer vários arranjos para projectos que não os Ararur. Em breve sairá o novo CD Ararur e espero que com ele venham vários concertos.

Que pergunta gostariam que vos fizessem e nunca foi colocada? E qual a resposta.
Querem fazer uma digressão pelo Japão? Sim.

Que música gostarias que tocasse no teu funeral?
Preferia silêncio.

Obrigado pelo tempo despendido, boa sorte para o futuro.

Ficamos agora ao som do mais recente single "Abril", que será parte integrante do futuro disco, com edição prevista para o próximo dia 5 de Dezembro.

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