quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Conversas d'Ouvido com The Muffinz

O Ouvido Alternativo mergulha no soul e no r&b ao som dos sul-africanos The Muffinz, os mais recentes convidados das "Conversas d'Ouvido". Este quinteto é composto por Simphiwe Kulla ("Simz"), Mthabisi Sibanda ("Mthae") e Sifiso Buthelezi ("Atomza"), Gregory Mabusela ("Keke") e Karabo Meketsi ("Skabz"). Os The Muffinz encontram-se actualmente a conquistar o mercado nacional, altura mais do que perfeita para os descobrirem ou para os conhecer melhor...


Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
The Muffinz: Enquanto banda encontrámo-nos na cidade de Joanesburgo, no ano de 2010. Três de nós estudavam na Universidade de Joanesburgo e pertenciam, simultaneamente, a uma organização de música chamada Mu.So – um espaço para amantes de música que queriam manter-se ligados à música enquanto estudavam. Como a universidade não tinha nenhum curso especializado em música tivemos de ser criativos, e foi literalmente assim que a banda se formou. Individualmente todos adoramos música desde que nos conhecemos.

Como surgiu o nome The Muffinz?
Inicialmente tínhamos um nome diferente: “Item45”. Mas, por alguma razão, as pessoas nunca se lembravam do nome, então tivemos de o alterar. E foi aí que surgiu o nome “The Muffinz”. O nome vem de uma piada da internet chamada “the muffin joke”. É uma piada muito tonta, e sem particular graça, mas o nome permaneceu e tornou-se fácil de decorar. Numa primeira fase recebemos muitas críticas da população sul-africana, mas com o passar do tempo desenvolvemos aquilo que chamamos de “resposta press release” para justificar o nome “The Muffinz”, que é: “cada um de nós simboliza um ingrediente diferente e quando nos juntamos criamos este produto universalmente agradável chamado The Muffinz”. Mas sim, era apenas uma piada, e das más, que muito provavelmente nos vai seguir até nos retirarmos da música.

Como gostam de descrever o vosso estilo musical?
Devido à natureza eléctrica da nossa música torna-se injusto colocar-lhe apenas um rótulo. Nesta fase estamos satisfeitos com a definição “Progressive Afro’lectric Soul”.
Isto significa que tocamos música africana progressiva que preserva os ideais africanos de uma forma divertida e informativa. A nossa música aborda vários temas e existe uma forte vertente de comentário social sobre o que significa ser um jovem adulto navegando a sua existência na África do Sul pós-colonial. Pretendemos levar ao mundo uma autêntica experiência africana através das canções, por entre a globalização, e a ameaça dos africanos perderem as suas referências culturais em favor das práticas e modos de vida ocidentais.

Conseguem explicar-nos como se desenvolve o vosso processo criativo?
Não temos um processo criativo prescritivo, na maioria das vezes é algo orgânico, apenas deixamos que isso aconteça. Todos nós temos papéis na banda: 2 compositores, 1 diretor musical e um engenheiro de som. Às vezes nós "improvisamos" uma canção, noutras vezes um de nós partilha uma canção sua e depois, coletivamente, trabalhamos.
Para além da música, t que tocasse no vossomavamstiram que tocasse no teusosavas ariasêm mais alguma grande paixão?
A maioria das nossas vidas gira em torno da música, mas também temos outras profissões: Mthae, o guitarrista acústico, é um artista gráfico surpreendente; Skabz, o baixista, é um viciado em fitness, em corridas e ginásio e todas as coisas suadas (risos); Simz, o guitarrista, produz música para outros artistas; Atomza, o compositor, é um copywriter freelance e um fanático por artes visuais e literatura; Keke, o baterista, é um artesão, adora trabalhar com as mãos (risos) e faz artesanato com materiais recicláveis.
Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico?
A vantagem definitivamente tem que ser a oportunidade de fazer o que amamos e ter um impacto positivo na vida das pessoas. O potencial para gerir o nosso próprio tempo é um bônus (risos). A maior desvantagem é que leva algum tempo até cimentares o teu nome e o estilo de música.
Quais as vossas maiores influências musicais?
Como indivíduos, nós vimos de diferentes origens, portanto, a música que influencia o resultado final dos Muffinz é uma mistura de sons Accapella com os lugares de culto onde crescemos. A música é também em grande parte influenciada pelo som indígena Africano e e pelas variações de línguas e vozes africanas, devido à globalização, e à nossa vivência na África do Sul pós-colonial existem muitos estilos progressivos que nós pegamos da música ocidental e europeia e que recebe muito airplay na rádio pública.
Como preferem ouvir música? CD, Vinil, K-7, Streaming, leitor mp3?
Definitivamente via mp3, utilizando maioritariamente os nossos telefones.

O streaming está a “matar” ou a “salvar” a música?
Depende do artista em questão e da intenção pela qual faz música. Nada pode matá-la, mas pode fazer uma grande diferença no bolso das editoras e publicistas, afectando os ganhos dos artistas.

Qual o disco da vossa vida?
Atomza: The Last Emperor, “The Legend of Bigfoot” (2000)
Keke: Salif Keita, “Amen” (1991)
Skabz: Jaco Pastorius , “Jaco Pastorius” (1977)
Sims: The Real Group, “The Real Album” (2009)
Mtha: Andy Mckee “The Art of Motion” (2006)

Qual o último disco que vos deixou maravilhados?
“Culcha Vulcha” (2016) dos Snarky Puppy e “Zilindile” (2012) de Mbuso Khoza.

O que andam a ouvir de momento/Qual a vossa mais recente descoberta musical?
Lokua Kanza – "Nkolo"

Qual a situação mais embaraçosa que já vos aconteceu num concerto?
Uma senhora, claramente grande fã do nosso baterista, decidiu subir ao palco e tentar beijá-lo, caindo desesperadamente em cima dos pratos à medida que tudo caía à sua volta. Tivemos que parar a canção para nos certificarmos que ela estava bem, e começar de novo.

Com que músico/banda gostariam de efectuar um dueto/parceria?
É uma pergunta injusta pois existem tantos que adoramos e admiramos... Femi Kuti, Bobby McFerrin, The Yellow Jackets, Richard Bona, Shabaka Hutchings, etc…

Para quem gostariam de abrir um concerto?
Tinariwen, Richard Bona, Bobby McFerrin ou talvez Gary Clark Jr e Femi Kuti.
Em que palco (nacional ou internacional) gostariam um dia de actuar?
Então, o Essesence Festival em Nova Orleães e o SXSW no Texas também seria fantástico. Tal como seria espantoso fazer as Avo Sessions, o Lugano Festival e os outros festivais associados nos circuitos europeus. A nível nacional já demos concertos em quase todos os locais.

Qual o melhor concerto a que já assistiram?
Mari Boine num festival em Oslo e uma performance do Cirque du Soleil quando veio à África do Sul.

Que artista ou banda gostavam de ver ao vivo e ainda não tiveram oportunidade?
Uma série deles: Tinariwen, Gary Clark Jr, Lizz Wright, Jacob Collier e James Blake.
Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de terem nascido) em que gostariam de terem estado presentes?
Quando o Bob Marley celebrou a independência da Zambézia em 1980.

Qual o vosso guilty pleasure musical?
Harmonizar possivelmente tudo aquilo que os meus ouvidos escutam.

Projectos para o futuro?
Estamos a trabalhar no nosso terceiro álbum e no respectivo DVD que planeamos lançar este ano. Ainda não temos um título, mas a pré-produção está perto de ficar completa. Planeamos também ensaiar mais, voltar ao estúdio e viajar até Portugal para uma série de concertos aí, yaaaaaaay!!!

Que música gostariam que tocasse no vosso funeral?
Esperemos que nada que deprima os convidados. Há tantas canções inspiracionais e espirituosas... apenas não queremos que haja espaço para a melancolia, visto que os funerais podem-se tornar deprimentes caso o foco não seja a celebração da vida do defunto.  

Obrigado pelo tempo despendido, boa sorte para o futuro.

Terminamos ao som do single "Do What You Love"

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