segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Conversas d'Ouvido com First Breath After Coma

Entrevista com os fascinantes e surpreendentes First Breath After Coma.  Estrearam-se em 2013 com um disco que cativou a nossa atenção, dois anos depois "Drifter", foi unanimemente considerado um dos melhores discos desse ano. Já actuaram em alguns palcos míticos como Paredes de Coura e Primavera Sound, não se ficaram por aqui e fizeram check-in no Eurosonic e no The Great Escape. Directamente de Leiria, o quinteto composto por Roberto Caetano (voz, guitarra), João Marques (teclas), Telmo Soares (guitarra, voz), Rui Gaspar (baixo, voz) e Pedro Marques (bateria, voz), chega finalmente ao Ouvido Alternativo, para uma conversa descontraída onde projectamos o futuro, antecipando o terceiro álbum "NU", com lançamento previsto para Novembro...

Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
FBAC: Paixão pela música todos nós temos, só demonstramos de maneira diferente. Há quem goste de ouvir barulho, há quem goste de fazer barulho e há malucos que tentam os dois.

Como surgiu o nome First Breath After Coma?
Surgiu durante a nossa primeira tentativa de fazer originais, onde o processo criativo não correu como esperávamos e deixou-nos deprimidos. Após esse fracasso, alargámos muito os nossos horizontes musicais e as músicas foram aparecendo. First Breath After Coma, pareceu-nos adequado, foi um novo começo para nós.
FBAC - "the misadventures of Anthony Knivet"
Recuando no tempo até 2013, quando editaram “The Misadventures of Anthony Knivet”, se vos disséssemos que em 2018, já teriam actuado em palcos como Eurosonic, The Great Escape, Paredes de Coura e Primavera Sound, teriam lançado um álbum aclamado pela crítica nacional e internacional e seriam actualmente uma das bandas nacionais mais reconhecidas da nova vaga, teriam acreditado?
Sonhamos bastante enquanto banda, mas sempre com os pés em terra. Tudo o que consegues alcançar depende do esforço e dedicação que colocas no que fazes. A partir daí, nada é, realmente, impossível.

Após o sucesso de “Drifter”, sentiram alguma pressão com o disco seguinte?
Há sempre pressão em mandar um disco cá para fora depois do primeiro, seja ele qual for. Sentimos isso a fazer o “Drifter” e estamos a sentir agora com o “NU”. A linha entre o inovar e manter uma estética, é bastante ténue. 
FBAC - "Drifter"
Nos últimos tempos, entre digressões nacionais e internacionais, residências artísticas, parcerias, como é que arranjaram tempo para um disco?
Lá está a tal pressão que falámos (risos) Parece que arranjamos sempre algo para fazer que nos distraia do novo disco.
Isto fez com que, fizéssemos esta pergunta a nós mesmos durante algum tempo, mas o dia tem 24horas e se trabalharmos durante a hora de almoço temos 25 (risos). Por isso, há sempre um tempinho para trabalhar em músicas novas. E quando as primeiras ganham forma, as outras saem mais fácil.

O novo disco “Nu”, tem edição prevista para dia 2 de Novembro, já podem levantar o véu sobre o que podemos esperar?
Ainda estamos a fechar o disco, por isso, até estar pronto, tudo pode mudar. É um disco que está a ser composto de uma forma muito orgânica e despida, com piano e vozes. Onde, exploramos o étnico, o gospel e misturamos com as paisagens sonoras que gostamos de fazer. O resto é surpresa, mas dia 31 de Agosto lançamos o primeiro single, que demonstra bem o que aí vem.

Silence 4, Surma, Nice Weather For Ducks, Les Crazy Cocconuts, Whales, etc, etc, etc, Leiria tem alguma aura especial?
Não, ninguém é especial ou melhor aqui por estes lados. A nível musical, há pessoas que acreditam nos projetos da cidade e que os ajudam a crescer. Esse esforço e dedicação de ambas as partes, e o facto de nos tratarmos como uma grande família, isso sim, é o especial no meio disto tudo.

Quais as vossas maiores influências musicais?
São muitas, impossível enumerá-las aqui. O que aprendemos logo no início, é que devemos ouvir tudo o que o nosso estado de espírito nos pede no momento.

Como gostam de descrever o vosso estilo musical?
Não gostamos (risos)

Para além da música, têm mais alguma grande paixão?
Produzir e realizar projetos em diferentes áreas. Ler, escrever, pintar, assistir a concertos, cinema e temakis.
Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico?
A maior vantagem é fazermos o que gostamos, realmente. A maior desvantagem, ser uma área que não oferece rendimento suficiente ao artista.

Como preferem ouvir música? Cd, vinil, k-7, streaming, leitor mp3?
Live, sempre!

Qual o disco da vossa vida?
O "KID A" é um bom exemplo, entre os vários.

Qual o último disco que vos deixou maravilhados?
O homónimo dos Dirty Projectors.

Qual a vossa mais recente descoberta musical?
Moses Sumney.

Qual a situação mais embaraçosa que já vos aconteceu num concerto?
Sermos expulsos do palco durante a 5.ª música, há muito tempo.

Com que músico/banda gostariam de efectuar um dueto/parceria?
Zeca Afonso.

Em que palco (nacional ou internacional) gostariam um dia de actuar?
No Royal Albert Hall, em Londres.

Qual o melhor concerto a que já assistiram?
Juntos, de mãos dadas e a chorar, foi o de Sigur Rós no Campo Pequeno.

Que artista ou banda gostavam de ver ao vivo e ainda não tiveram oportunidade?
Alabama Shakes.

Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de terem nascido) em que gostariam de ter estado presentes?
Todos os concertos do Woodstock 69’.

Têm algum guilty pleasure musical?
Bruno Mars.

Projectos para o futuro?
Depois de lançar o “NU”, já temos digressão marcada para Novembro pela europa e 3 concertos de apresentação em Portugal para Dezembro. Para 2019, logo se vê.

Que pergunta gostariam que vos fizessem e nunca foi colocada? E qual a resposta.
O que é que dizem os teus olhos? Mas, esta, só respondemos ao Daniel. (risos)

Que música de outro artista, gostariam que tivesse sido composta por vocês?
Ficaríamos envergonhados da quantidade de músicas que teríamos de colocar aqui (risos)

Que música gostariam que tocasse no vosso funeral?
Joy Division – "Atmosphere" ou Europe – "The Final Countdown". 

Obrigado pelo tempo despendido, boa sorte para o futuro.

Enquanto aguardamos novo single, recuamos no tempo e ficamos com o videoclipe da sublime "Umbra", que conta com a participação especial de Noiserv e do actor Rui Paixão.

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