quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Conversas d'Ouvido com Soulvenir

Entrevista com os Soulvenir, banda brasileira de rock alternativo, com um toque de electrónica. Quinteto proveniente do Maranhão, composto por Marlon Silva (baixo), Adnon Soares (viola, guitarra e voz), Domingos Thiago (Sundays James) (guitarra), Wilson Moreira (bateria) e Sandoval Filho (sintetizadores). Nascidos em 2011, estrearam-se nesse mesmo ano com o disco de estreia "Galaxy Species". Em 2016, Foram os vencedores da primeira edição do EDP Live Bands Brasil, o que lhes valeu uma actuação em Portugal no Nos Alive. Dois anos depois regressam ao nosso país para mais uma edição das "Conversas d'Ouvido"...


Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
Sundays James (SJ): Eu descobri um violão escondido no guarda-roupa da minha mãe quando tinha uns 12 anos.
Marlon Silva (MS): A paixão pela música veio a partir de encontros familiares, onde conheci alguns dos principais nomes da música brasileira como Belchior, Maria Bethânia, Martinho da Vila através de fitas k7 e a paixão foi crescendo e agregando outros estilos por convivência com os amigos, onde o rock e suas vertentes entraram. Uma das lembranças mais fortes relacionada a essa transição foi conhecer, ainda na infância, a canção “Fake Plastic Trees” dos Radiohead por meio de uma campanha publicitária no Brasil, o que anos mais tarde virou uma paixão pelo grupo.

Como surgiu o nome Soulvenir?
SJ: A palavra é derivada do nome francês “souvenir”. Por questões de grafia, acrescentamos um “L” e ficou Soulvenir. Mas o intuito do nome é uma alusão ao resgatar boas lembranças que temos dentro de nós.
MS:  Soulvenir acabou surgindo da necessidade de variação do nome original da banda, antes grafada como “Souvenir”. Como havíamos percebido muitos nomes de artistas e bandas escritos da mesma maneira, e não querendo abandonar o nome que, essencialmente, representava o sentimento de nostalgia e boas lembranças que são alguns dos pontos principais da nossa música, optamos por essa variação fazendo um jogo de palavras.

Como gostam de descrever o vosso estilo musical?
SJ: A gente é um mix de rock'n'roll e música eletrónica. Pode ser Rock Eletrónico? :D
MS: Algo mais próximo do alternativo, soul, rock e eletrónico.

Em 2016 estrearam-se em Portugal, o que recordam desse concerto?
SJ: A sensação de ter cruzado o oceano vindo dum lugar tão distante e pequeno e tocar ao lado de heróis que nos influenciaram, é algo que vou levar sempre comigo.
MS: Muitas lembranças boas, pois além de estrearmos em Portugal, foi a nossa primeira vez na Europa. E ter como primeira vez a participação em um dos melhores festivais da Europa, sendo nosso primeiro grande festival, ao lado de muitos nomes que admiramos, é um divisor de águas. Todo o tratamento dado pela Everything is New e pela EDP foi algo que lembraremos pra sempre.

É verdade que planeiam um regresso a Portugal este ano?
SJ: Estamos retornando em maio de 2018. Portugal abraçou a gente como um pai abraça um filho. Sentimos-nos seguros e revitalizados em poder fazer um som na Europa.
MS: Sim! Portugal é destino certo na nossa primeira tour na Europa. Dessa vez regressaremos por outros pontos de Portugal que ficamos com muita vontade de conhecer, como Porto!

Conhecem alguma coisa da música portuguesa?
SJ: O Fado é bem comentado. Mas não conheço muito da música portuguesa, mas gostei muito do For Pete Sake, que conhecemos no EDP Live Bands. Eles são sensacionais!
MS: Antes de participarmos do Nos Alive 2016, procuramos conhecer um pouco melhor o que o cenário musical de Portugal apresentava foi uma excelente surpresa. Artistas muito talentosos como PAUS, Surma, Carlão, You Can't Win Charlie Brown, First Breath After Coma, Whales, Capitão Fausto e The Legendary Tigerman. Muita música boa! 

Para além da música, têm mais alguma grande paixão?
SJ: Gosto muito de fotografias e vídeos.
MS: Gosto muito de assistir filmes (geralmente biografias), hqs (banda-desenhada), fotografia e comer.

Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico?
SJ: A arte te possibilita conhecer muita gente e muitos lugares. Isso agrega muito valor na vida. Afinal de contas, o que somos senão algumas histórias pra contar... Desvantagem, não sei, quando a gente faz o que ama, a gente cria força pra enfrentar qualquer coisa... Mas por outro lado, é até estranho falar isso, mas a vida do músico às vezes pode ser bem solitária.
MS:  Uma das vantagens é poder conhecer diversos tipos de lugares e pessoas por meio dos palcos, o que acaba sendo uma fonte de lembranças bem diferente. Uma das desvantagens é o sacrifício de algumas relações e convívios por conta de uma rotina de trabalho bem inusitada, onde nem sempre é possível conciliar com a rotina de pessoas queridas.

Quais as tuas maiores influências musicais?
SJ: Red Hot Chili Peppers (com certeza), Jack White, Daft Punk, Lenine, Weezer, Bob Marley, The XX, Rage Against The Machine, Deftones, Ramones, Placebo, Queens of the Stone Age, Wolf Alice, Foo Fighters, Nirvana, Radiohead... Atualmente tenho escutado Selah Sue, Molho Negro, St. Vincent, Deap Vally, Far From Alaska, The Dead Weather, The Kills, Rival Sons... Tem muita coisa legal!
MS: Muitas das maiores influências musicais que tenho vêm da convivência com pessoas que foram importantes no meu quotidiano. Muito vem do samba, MPB e reggae (um dos estilos mais marcantes da nossa cidade, São Luís) e boa parte de nomes do rock clássico (Janis Joplin, Jimi Hendrix, Led Zeppelin) e do rock alternativo ( Radiohead, Foo Fighters, Gorillaz, Deftones).

Como preferem ouvir música? Cd, vinil, k-7, streaming, leitor mp3?
SJ: Eu sou um pouco desorganizado. O streaming salvou essa minha bagunça.
MS:  Atualmente, pela praticidade, prefiro escutar por meio de streaming.

Qual o disco da vossa vida?
SJ: "Bad" (Michael Jackson) - meu pai comprou esse vinil na época e me chamou pra dançar.
MS: "The King of Limbs", "Ok Computer" e "Kid A" – Radiohead

Qual o último disco que vos deixou maravilhados?
SJ: Selah Sue "Reason"
MS: Os últimos discos que não pararam de tocar até hoje foram “Chão” (2011) - Lenine, "Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos" (2009) - Otto, “Built on Glass” (2014) – Chet Faker e o “Duas Cidades” (2016)- BaianaSystem

O que andam a ouvir de momento/Qual a vossa mais recente descoberta musical?
SJ: SOHN, Reignwolf, Asa, Rival Sons, Balthazar, Deap Vally, Band of Skulls...
MS: Ultimamente ando escutando muito The Internet, Charles Bradley, Flume, Daniel Caesar e BaianaSystem.

Qual a situação mais embaraçosa que vos te aconteceu num concerto?
SJ: Uma vez quebrei a parede do palco num pub. Chutei a parede pensando que era de alvenaria, mas era de gesso e o meu pé atravessou.

Com que músico/banda gostariam de efectuar um dueto/parceria?
SJ: O Robert Plant seria sensacional
MS: Em Portugal, seria muito legal ter um dueto com os You Can’t Win, Charlie Brown, First Breath After Coma e Surma, acredito que tem alguns elementos próximos ao Soulvenir.

Para quem gostariam de abrir um concerto?
SJ: Jack White
MS:Bandas que seria uma honra em dividir o palco: Deftones, Gorillaz, Nação Zumbi e Boogarins.

Em que palco (nacional ou internacional) gostariam um dia de actuar?
SJ: Nos Alive (novamente porque foi incrível); Primavera Sound, Glastonbury, Rock in Rio, Lollapalooza... Acho que seria legal, né?
MS: Tenho muita vontade em tocar nas edições brasileiras do Rock in Rio e Lollapalooza, e se possível no Super Bock Super Rock (Portugal), Primavera Sound (Espanha) e Glastonbury (Inglaterra)

Qual o melhor concerto a que já assististiram?
SJ: Os Rage Against The Machine no SWU 2010 (Brasil) e The Hives no Lollapalooza Brasil em 2013.
MS:  Os concertos que mais me marcaram até hoje foram dos Radiohead, Tame Impala e Robert Plant (Nos Alive-2016), Nação Zumbi, Otto, Los Hermanos e BaianaSystem.

Que artista ou banda gostavam de ver ao vivo e ainda não tiveram oportunidade?
SJ: Selah Sue, Muse, U2, Placebo, The Strokes...
MS: Gostaria muito de ver shows dos Deftones, Korn, Foo Fighters e Caetano Veloso.

Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de terem nascido) em que gostariam de terem estado presentes?
SJ: Rock in Rio II (2002)
MSCom certeza, se pudesse, assistiria a um concerto da Janis Joplin.

Tens algum guilty pleasure musical?
SJ: Talvez eu goste muito de trilha sonora de filme romântico clichê.
MS: Não, não. Na música vale tudo que contagia de alguma maneira!

Projetos para o futuro?
SJ: Espalhar os Soulvenir no mundo e depois compor algumas canções dessa vivência toda.
MS: Ampliar os horizontes com os Soulvenir, consolidando a nossa presença na Europa. Mais à frente, desenvolver parcerias com outros músicos pelos quais tenho admiração.

Que pergunta gostarias que te fizessem e nunca foi colocada? E qual a resposta.
SJ: Você gostaria de conhecer os RHCP? Resposta: Lógico que sim!

Que música de outro artista, gostariam que tivesse sido composta por vocês?
SJ: "Be Quiet And Drive" (Deftones)
MS: "There, There" - Radiohead 

Que música gostarias que tocasse no teu(vosso) funeral?
SJ: Putz... Que pergunta difícil... Acho que pediria "A Raposa e as Uvas" de Reginaldo Rossi.
MS: Ainda não parei pra pensar nisso. Mas com certeza nada triste. Prefiro pensar nesse momento com um clima festivo! Não iria gostar de presenciar pessoas queridas com tristeza por esse tipo de momento!

Terminamos agora, mas antes visitamos a música dos Soulvenir, e do mais recente single "Wild Angel".

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