sexta-feira, 9 de março de 2018

Conversas d'Ouvido com Riccardo Gileno

Entrevista com o cantor e compositor italiano Riccardo Gileno. Após experiências em projectos como Groove O'Matic, Free Strangers' Society, Family Affair, The Topix, ou Stop The Wheel, aventurou-se a solo, para expor sentimentos que escondia dentro de si. Uma voz profunda e uma guitarra acústica, é assim que se apresenta, despido de artefactos. O músico não gosta de se refugiar em rótulos e define o seu estilo musical como apaixonado e honesto. Em 2017, lançou o seu EP de estreia "The Curse", este ano planeia a edição do seu debut, enquanto esse dia não chega, "viajamos" até Itália, para desvendarmos um pouco mais sobre o talento de Riccardo Gileno...


Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
Riccardo Gileno: Herdei definitivamente isso da minha família. O meu pai e o meu irmão também são compositores e a minha mãe estava sempre a cantar em casa.

Estando envolvido em tantos projectos como surgiu a vontade de te aventurares a solo?
Comecei a escrever porque senti a necessidade de expor as coisas que escondia dentro de mim, porque não conseguia transmití-las em palavras. Então, assumi isso como um desafio e devo dizer que ainda hoje, continua a ser isso para mim.

Sentes-te mais confortável a solo ou em formato banda?
Para ser sincero, as duas experiências não são comparáveis. Quando estou a solo, sinto um pouco mais de pressão, mas não tenho de prestar contas a ninguém. Quando estou com a banda, é mais divertido, mas tenho que estar sempre a lembrar-me que não sou só eu que estou em palco. Há prós e contras.

Conheces alguma coisa da música portuguesa?
Infelizmente não. Mas sou uma pessoa muito curiosa, portanto é uma porta que posso abrir.

Como gostas de descrever o teu estilo musical?
Gosto sempre de dizer que é apaixonado e honesto. Mas não acredito em rótulos. Espero apenas que a minha música possa ser algo ou diga algo a alguém.

Para além da música, tens mais alguma grande paixão?
Gosto muito de desporto, principalmente futebol.

Qual a maior vantagem e desvantagem da vida de um músico?
Não sei mesmo a resposta a essa pergunta, porque ainda não vivo apenas da música. Penso que é um negócio volátil, um dia estás aí, no outro dia não estás. Mas a musica é arte, paixão, emoção e alimento para a alma.

Quais as tuas maiores influências musicais?
Tudo começa com os Beatles mas, provavelmente, a minha maior influência é o Jeff Buckley, mas oiço todo o tipo de música, desde Stevie Wonder a The Tallest Man on Earth, de Billy Joel a Nina Simone e estou sempre a tentar captar coisas de outros que chamem a minha atenção.

Como preferes ouvir música? Cd, vinil, k-7, streaming, leitor mp3?
Normalmente faço streaming no meu telemóvel, mas também sou um coleccionador de CD's.

Qual o disco da tua vida?
Há dois: "Grace", de Jeff Buckley e "Songs in the Key of Life" de Stevie Wonder.

Qual o último disco que te deixou maravilhado?
O último foi "Hundred Acres" de S. Carey. Altamente recomendado.

O que andas a ouvir de momento/Qual a tua mais recente descoberta musical?
Neste momento, ando numa de cantautores britânicos e as minhas últimas descobertas são Rhys Lewis e Dermot Kennedy.

Qual a situação mais embaraçosa que já te aconteceu num concerto?
No ultimo concerto que fiz, o meu amplificador parou e fiquei totalmente em pânico.

Com que músico/banda gostarias de efectuar um dueto/parceria?
O meu dueto de sonho seria com James Taylor e Glen Hansard. E seria fantástico ser vocalista de Vulfpeck ou Foo Fighters só por um dia.

Para quem gostarias de abrir um concerto?
Niccolò Fabi, Oren Lavie ou Ryan Adams.

Em que palco (nacional ou internacional) gostarias um dia de actuar?
Não sei mesmo. Às vezes, apenas uma tour no meu país já seria um sonho realizado.

Qual o melhor concerto a que já assististe?
Acabei de vir de Londres, fui ver Bon Iver. Foi maravilhoso e pode bem ter sido o melhor concerto que já vi.

Que artista ou banda gostavas de ver ao vivo e ainda não tiveste oportunidade?
Radiohead, Vulfpeck, Ryan Adams, Stevie Wonder, Jamiroquai, Ásgeir, e a lista continua...

Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de teres nascido) em que gostarias de ter estado presente?
Pergunta difícil. Provavelmente o "Concerto para George Harrison", em 2002 ou um concerto normal de David Bowie.

Tens algum guilty pleasure musical?
Tenho muita consideração por algumas popstars dos anos 90, como a Lene Marlin e adoro Disco Music.

Projectos para o futuro?
Estou a trabalhar duro para conseguir alguns concertos no resto da Itália, para promover o meu último (e primeiro) EP, chamado "The Curse" e estou a pensar gravar material para o meu primeiro LP, na segunda metade de 2018.
Riccardo Gileno - "The Curse"
Que pergunta gostarias que te fizessem e nunca foi colocada? E qual a resposta.
Gosto mesmo desta pergunta que me fizeste! E responderia tal como acabei de fazer (risos)

Que música de outro artista, gostarias que tivesse sido composta por ti?
Penso que seriam as músicas do Nick Drake. Acho-as tão difíceis e cativantes, mas ao mesmo tempo, simples e puras.

Que música gostarias que tocasse no teu funeral?
"Shower The People" do James Taylor. Resume bem o que penso da vida. E também canções de Prince, Stevie Wonder e Earth, Wind & Fire: já iria ser um dia difícil, não há necessidade de o tornar mais difícil ainda:)

Obrigado pelo tempo despendido, boa sorte para o futuro.
Obrigado e até breve.

Antes de terminarmos ficamos ao som do mais recente single de Riccardo Gileno, "Days".

Sem comentários:

Enviar um comentário

Follow by Email