terça-feira, 23 de abril de 2019

Conversas d'Ouvido com Signs of the Silhouette

Entrevista com Signs of the Silhouette, projecto repleto de experimentalismo e composto por Jorge Nuno (guitarra), João Paulo Entrezede (bateria), André Calvário (baixo) e Miguel Cravo (visual artist). Uma tela com projecções audiovisuais, serve de pano de fundo a um trio musical vestido de branco, relevos musicais, em harmonia e interacção com forte carga visual. Este ano editaram o mais recente disco "Wigwam", onde contam com a colaboração de Makoto Kawabata dos Acid Mothers Temple. Para nos falarem do álbum, mas também projectarem futuro, os Signs of the Silhouette são os convidados de hoje das "Conversas d'Ouvido"...


Ouvido Alternativo: Como surgiu a paixão pela música?
Jorge Nuno (JN): A minha paixão surgiu na adolescência quando comecei a ouvir bandas heavy metal e comprar revistas de musica do género, a partir daí comecei a ter aulas de guitarra clássica, mais tarde de jazz e a absorver o máximo de informação musical e claro ouvir outros géneros musicais 
Miguel Cravo (MC): Uso a música como uma ajuda criativa. O som é um meio que me sugere imagens quer para algo gráfico ou vídeo

Como surgiu o nome Signs of The Silhouette?
JN: O nome surgiu através do Miguel Cravo que é a pessoa da banda que cria o conceito e desenvolve as ideias musicais em criações visuais, foi ele que teve a ideia de nós músicos tocarmos de branco com as respectivas máscaras tornando-nos parte da projeção visual que acontece durante a performance.
MC: Basicamente o que o Jorge Nuno escreveu e mais umas leituras de Platão (Alegoria da Caverna) e fenomenologia de Merleau-Ponty.
Signs of the Silhouette - "Wigwam"
Editaram recentemente o disco Wigwam, para quem ainda não o ouviu o que podemos esperar?
JN: É o nosso álbum mais pesado, tem uma componente stoner rock muito presente. Tentamos sempre diversificar os nossos discos pois a ideia é que cada obra seja uma peçúnica com um conceito próprio, os discos anteriores são mais experimentais o anterior o Nu” o mais free jazz 
MC: Quando ouvi o esboço do som a ideia de energia em espaço contido surgiu-me na mente e usei antigas experiência atómicas dos anos 60 para ilustrar o vídeo que acompanha os espetáculos o álbum. O nome Wigwam vem daí.

Contam com a colaboração de Makoto Kawabata, como foi a experiência?
JN: A ideia surgiu do dono da editora Bam Balam Records” que me sugeriu convidar-mos o Makoto para ele tocar no nosso disco… A experiência foi positiva e surpreendente na forma como ele coloca a guitarra em cima do nosso som .
MC: Acid Mothers Temple sempre foi uma banda de referência para nós. Ouvir o som de Makoto neste álbum é algo fantástico para nós

Os vossos concertos são muito mais que um espectáculo musical, são uma experiência visual, para vocês a música é muito mais que uma sonoridade?
JN: Neste projecto a experiência visual é tão importante como a musical, pois a ideia é a interacção visual com a musical.
MC: Idem, acho que a parte visual e musical se influenciam mutuamente. E cada performance é única também por isso. Estou sempre a criar novos sets e loops de imagens para cada concerto o que torna cada concerto diferente do anterior e me obriga a ouvir o álbum várias vezes em busca de novas expressões.

Quais as vossas maiores influências musicais?
JN: No meu caso são variadas, tenhos vários projectos nas áreas da Improvisação / free jazz que gosto bastante, mas basicamente oiço de tudo.
MC: Oiço de tudo um pouco e estou sempre em busca de coisas novas para me influenciar no que desenho.
Fotógrafo - Nuno Martins
Para além da música, têm mais alguma grande paixão?
JN: Paixão só a música mesmo, mas gosto muito de desporto e viajar
MC: Desenho em todas as suas expressões.

Como preferes ouvir música? Cd, vinil, k-7, streaming, leitor mp3?
JN: Ouço em qualquer formato desde que tenha bom som. O Vinil é mais pelo objecto que visualmente é fantástico

Qual o disco da tua vida?
JN: Tenho vários mas talvez o "Bitches Brew" do Miles Davis ou o "Hunky Dory" do David Bowie e o "Exile on Main St." dos Stones ou o Jimmy Hendrix Are You Experienced”… Depende da altura da vida mas vai alternando 

Qual o último disco que te deixou maravilhado?
JN: Assim de repente difícil responder mas talvez o "Fantasy Empire" dos Lightning Bolt 

Qual a tua mais recente descoberta musical?
JN: Paal Nilssen-Love – "New Brazilian Funk"

Qual a situação mais embaraçosa que já vos aconteceu num concerto?
JN: Não sair som do amp. e não perceber porquê…
MC: O projector não funcionar com toda a banda a olhar para mim!!!!

Com que músico/banda gostarias de efectuar um dueto/parceria?
JN: Adorava com o Adrian Belew ou o Robert Fripp porque sãótimos guitarristas e tenho muita admiração por eles.
Fotógrafo - Nuno Martins
Qual o melhor concerto a que já assististe?
JN: Sonic Youth no Coliseu há uns bons anos .

Que artista ou banda gostavas de ver ao vivo e ainda não tiveste oportunidade?
JN: ui  talvez King Crimson 

Qual o concerto da história (pode ser longínqua, mesmo antes de terem nascido) em que gostariam de terem estado presentes?
JN: Woodstock 
MC: Qualquer festival Burning Man no deserto do Nevada!!!!

Tens algum guilty pleasure musical?
JN: Tenho várias músicas, bandas Ozzy Osbourne/Deftones, Incubus o álbum A Crow Left of the Murder...” ….e continuava lol.

Projectos para o futuro?
JN: Tocar o máximo possível.
MC: Novos conceitos para novos sons e novas imagem.

Que música de outro artista, gostarias que tivesse sido composta por ti?
JN: Várias mas por ser guitarrista Whole Lotta Love“ dos Led Zeppelin

Que música gostarias que tocasse no teu funeral?
JN: Elton John – "Goodbye"

Obrigado pelo tempo despendido, boa sorte para o futuro.
Jorge Nuno e Miguel Cravo: Obrigado nós, grande abraço para o Ouvido Alternativo...

Por fim, ficamos ao som do disco "Wigwam", que pode ser ouvido através da plataforma Bandcamp.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Follow by Email